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Coca-Cola Zero - Prove que é possível

Estoy a oír: Melissa auf der Maur - Followed the Waves

Atenção: esta postagem foi sugerida por uma agência de publicidade. Mas podem ler tranquilos, que ela não morde.

Como parte da campanha Prove que é Possível, a Coca-Cola Zero lançou em seu site uma série de desafios para…hã…provar que é possível.

O jogador é recrutado para o DSPCCZ (Departamento Secreto de Pesquisas Coca-Cola Zero), e após assistir alguns vídeos de introdução recebe a missão de recrutar quatro pessoas na ordem que preferir. Seja o traceur que deve ser mantido sob a vigilância de um holofote ou a oriental de identidade ignorada que fala ao contrário, todos exigem o cumprimento de diferentes missões para alistá-los na organização.

A interação do site com o usuário é bacana - eu meio que tinha um trauma da lentidão do site da Coca-Cola, mas este aqui carrega rápido e não te deixa perdido em nenhum momento.  Os jogos exigem concentração e perícia com o mouse, ideais para matar tardes que insistem em não passar.

E experiência com coisas aparentemente impossíveis a Coca-Cola tem. Afinal, quem esperava que eles conseguissem fazer um refrigerante dietético sem aquele maledetto gosto residual de adoçante?

Completando a promoção, o Lemp, do blog Coisas de Homem, resolveu gravar uma das suas performances de parkour e desafiar um dos procurados da campanha. Para não ficar chato, digamos apenas que ficou feio pro Lemp…

Vídeo do Andrei, o procurado

Vídeo do Lemp

Le Parkour FAIL

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100 coisas para fazer antes de morrer (ou algo assim)

Estoy a oír: The Yeah Yeah Yeahs - Gold Lion

Listinha roubada da Fernanda Pineda, que também cooptou Vinícius Schiavini para preenchê-la. Em negrito as coisas que já fiz, em letras normais as coisas que ainda pretendo fazer…segue a lista.

1. Criou seu próprio blog.
2. Dormiu sob as estrelas.
3. Tocou numa banda. (Se bem que…Guitar Hero conta?)
4. Visitou o Havaí.
5. Viu uma chuva de meteoros.
6. Doou mais do que podia pra caridade.
7. Foi para a Disneylândia.
8. Escalou uma montanha.
9. Segurou um louva-deus.
10. Cantou solo.
11. Pulou de bungee jump.
12. Visitou Paris.
13. Viu uma tempestade de raios no mar.
14. Aprendeu uma forma de arte sozinho.
15. Adotou uma criança.
16. Teve infecção alimentar.
17. Visitou a Estátua da Liberdade ou o Cristo Redentor.
18. Cultivou seus próprios vegetais.
19. Viu a Monalisa na França.
20. Dormiu num trem-leito.
21. Participou de uma luta de travesseiros.
22. Viajou pedindo carona.
23. Faltou por estar doente quando não estava.

24. Construiu um forte de neve.
25. Segurou um carneiro.
26. Mergulhou pelado.
27. Correu uma maratona.
28. Se escondeu em uma gôndola em Veneza.
29. Viu um eclipse total.
30. Viu o nascer e o pôr-do-sol.
31. Fez um home-run.
32. Esteve em um cruzeiro.
33. Viu as Niagara Falls ao vivo.
34. Visitou o lugar onde seus ancestrais nasceram.
35. Viu uma comunidade Amish.
36. Aprendeu uma língua nova sozinho.
37. Teve dinheiro o bastante pra ficar realmente satisfeito.
38. Viu a Torre Inclinada de Pisa.
39. Escalou nas rochas.
40. Viu “David” de Michelangelo.
41. Cantou karaokê.
42. Viu um géiser em erupção.
43. Pagou uma refeição para um estranho.
44. Visitou a África.
45. Andou na praia à luz da lua.
46. Foi transportado por uma ambulância.
47. Teve um retrato seu pintado.
48. Pescou no alto-mar.
49. Viu a Capela Sistina.
50. Esteve no topo da Torre Eiffel em Paris.
51. Mergulhou ou fez snorkel.
52. Beijou na chuva.
53. Brincou na lama.
54. Foi à um cinema drive-in.
55. Foi ao cinema.
56. Visitou a Muralha da China.
57. Abriu seu próprio negócio.
58. Teve aula de artes marciais.
59. Visitou a Rússia.
60. Trabalhou em uma cozinha do sopão.
61. Vendeu biscoitos de escoteiras.
62. Admirou as baleias.
63. Ganhou flores sem motivo.
64. Doou sangue.
65. Pulou de pára-quedas.
66. Visitou um campo de concentração nazista.
67. Teve um cheque devolvido.
69. Salvou um brinquedo de infância.
70. Visitou o Lincoln Memorial.
71. Comeu caviar.
72. Fez um quilt.
73. Foi até Times Square.
74. Conheceu os Everglades.
75. Foi demitido.
76. Assistiu à mudança de guardas em Londres.
77. Quebrou um osso.
78. Andou em uma motocicleta de corrida.
79. Viu Grand Canyon ao vivo.
80. Publicou um livro.
81. Vistou o Vaticano.
82. Comprou um carro zero.
83. Andou em Jerusalém.
84. Teve uma foto sua no jornal.
85. Leu a Bíblia inteira.

86. Visitou a Casa Branca.
87. Matou e preparou um animal para comer. (Essa, por razões óbvias, eu nem pretendo.)
88. Teve catapora.
89. Salvou a vida de alguém.
90. Participou de um júri.
91. Conheceu alguém famoso.
92. Participou de um clube do livro.
93. Perdeu um ente querido.

94. Teve um bebê.
95. Viu o Alamo ao vivo.
96. Nadou no Great Salt Lake.
97. Processou alguém ou foi processado.
98. Teve um celular.
99. Foi picado por uma abelha.

100. Foi ao Canal do Panamá.

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Pérolas de sabedoria do mestre Chandler Bing

Estoy a oír: The Rembrandts - I’ll Be There for You (tema da série Friends)

Dando continuidade à série de frases dos grandes mestres filósofos da ficção, chegamos agora a um mestre advindo da TV - Chandler Bing, vivido por Mathhew Perry durante as dez temporadas da série Friends. Os comentários sarcásticos de Chandler fizeram com que ele fosse considerado por muitos (inclusive por mim) o melhor personagem da série, para não falar na brilhante dupla que ele formava com Joey Tribbiani (Matthew LeBlanc) - que também está na fila para ganhar lista de pérolas.

Enquanto ela não vem, fiquem com as melhores frases de mestre Bing.

“Acho que este é aquele episódio de Three’s Company no qual acontece algum tipo de mal-entendido.”

“Nas palavras de A. A. Milne, ‘Levante da minha cadeira, seu idiota!’

“Tem um cara que, toda vez que fala comigo, quer dizer meu nome - só que ele exagera no ‘Bing’. BING!”

(ao ver Ross exageradamente bronzeado) “Aonde você foi pra conseguir esse bronzeado, ao Sol?”

“Ross, pára de olhar pras pernas da minha mulher…não, não, pára de olhar pras pernas da sua irmã!”

“Boa noite, sua grande aberração da natureza!”

“…e, claro, nossa casa vai ter um quarto no andar de cima onde o Joey vai poder crescer.”

“Bing é o gaélico para ‘vosso peru está pronto’.”

“Eu não sou muito bom em dar conselhos. Você não prefere um comentário sarcástico?”

Joey: Sabe aquela doida que está nos perseguindo? Podíamos acertá-la com uma frigideira.
Chandler:
É, ótima idéia. Mas seria bom termos um plano B, só pro caso dela não ser um desenho animado!

Joey: Entende o que eu quero dizer?
Chandler:
Não, você entende?

“Detesto tomar banho de banheira. Você fica lá, sentado no próprio suor…”

“Olha só pra todo esse espaço no lado deles da cama. Você poderia colocar um pinguim-imperador lá. Claro, isso seria esquisito.”

“Se você tiver mesmo que dizer a verdade dela, pelo menos espere pela hora certa. Como no seu leito de morte, por exemplo.”

“Numa escala de 1 a 10, sendo 10 o mais idiota que uma pessoa pode parecer, você é definitivamente um 19.”

(lendo o jornal) “Aqui diz que atacaram um Muppet na Vila Sésamo ontem à noite.”

Kathy: Uau, você seu cabelo é muito sensual.
Chandler:
Obrigado, eu mesmo cuido dele.

(ao ser ignorado pelos amigos) “Devo usar minha invisibilidade para combater o crime ou para praticar o mal?…”

(enquanto Phoebe grita histericamente) “Essa mulher não tem botão de mudo?!”

“Joey, me faz um favor…pega a minha mão e bate na Monica com ela.”

Joey: Ninguém pode desistir! Estamos todos juntos nisso, nós seis!
Chandler:
Receio que o júri também pense assim.

“Se eu fosse um cara… (todos olham para Chandler, surpresos) Peraí, eu acabei de dizer ’se eu fosse um cara’?!”

“Ross, esclarece uma coisa pra mim…você não é mais casado com nenhum de nós, né?”

“Tudo bem, eu fiz o tal teste…e descobri que coloco minha carreira antes dos homens.”

“Ah, cara…na próxima encarnação, eu quero ser uma escova de privada!”

“Tenho certeza de que, quando a mulher certa surgir, você vai ter a coragem de dizer a ela ‘Não, obrigado, eu sou casado.’

“Certo, crianças, tenho que ir trabalhar. Se eu não for até lá fazer aqueles cálculos…não vai fazer a MENOR diferença.”

“O quinto dentista mudou de idéia, e agora todos recomendam Trident?”

“Ross está usando calças de couro. Ninguém reparou nas calças de couro?! Alguém diga alguma coisa!”

“A vida é o meu casamento lésbico!”

“Se eu me tornar igual aos meus pais ou serei uma loira alcoólatra perseguindo meninos de 20 anos ou vou virar minha mãe.”

Rachel: Há um garoto dentro desse homem.
Chandler:
E se ele for removido, o Joey morre.

“Eu queria ser uma lésbica. (todos olham para Chandler.) Gente, eu disse isso em voz alta?…”

(para Joey, que está sentado em sua poltrona) “Vou cantar uma música para você…se chama ‘LEVANTE’!”

(Chandler e Joey voltam do apartamento das garotas, e veem duas mulheres desconhecidas sentada à sua porta) “Olha só! São as mulheres que pedimos.”

Chandler: Que roupa de coelho rosa é essa?
Monica:
Era coelho rosa ou coelho nenhum.
Chandler:
Coelho nenhum. É SEMPRE COELHO NENHUM!

Janice: Que mundo pequeno!
Chandler:
E mesmo assim eu nunca topo com a Beyoncé.

“Querida, eu sei que você está sentindo uma dor excruciante agora…mas eu tô excitado.”

(para Joey) “Se ao menos houvesse alguma coisa na sua cabeça para controlar o que você diz!”

Monica: Você já beijou um cara? Oh, meu Deus!
Chandler:
Em minha defesa, estava muito escuro…e ele era um cara bem bonitão.

“Gostosas do Departamento de Paleontologia - taí um calendário que venderia bem!”

Joanna: Espera aí…o que você está fazendo?
Chandler:
Me vestindo.
Joanna:
Por quê?
Chandler:
Bem, porque quando eu saio pelado as pessoas jogam lixo em mim.

“Você sabe o que é estranho? O Pato Donald nunca usa calças, mas toda vez que sai do chuveiro ele coloca uma toalha na cintura. Quer dizer, para que isso?”

(Rachel entra no apartamento dos rapazes usando um vestido rosa-choque de dama de honra, além de um grande chapéu.) “Desculpe, não vimos seus carneirinhos.”

Rachel: Os dois estão aqui, os dois estão aqui, os dois-estão-aqui?
Chandler:
Bom, a gente pode contar de novo.

(Monica diante de um prato de frango)
Monica:
OK, eu tenho uma coxa, três peitos e uma asa.
Chandler:
E como você consegue encontrar roupas que combinem?!

Chandler: Gente, dá pra ver meus mamilos através da camisa?
Rachel:
Não. Mas não se preocupe, eles ainda estão aí.

“Joey pegou meu último chiclete, então eu matei ele. Agi mal?”

Chandler: Eu lembro do meu pai vestindo uma roupa vermelha, grandes botas vermelhas e um cinto de couro, descendo as escadas devagar. Ele não queria que o víssemos, mas ele estava tão bêbado que sempre tropeçava em alguma coisa e acordava todo mundo.
Rachel:
Isso não parece um feliz Natal.
Chandler:
Quem falou no Natal?

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Who’s dead?

Estoy a oír: Michael Jackson - Billie Jean

Poucas vezes a ascensão e queda de uma celebridade foram tão documentadas.

Musicalmente, Michael Jackson já estava morto há pelo menos uma década e meia, período no qual ouvíamos falar dele pelos escândalos, excentricidades e dívidas milionárias. Mas a lembrança que fica é do artista que mudou a história da música - e da cultura pop como um todo.

Jackson foi um dos responsáveis por tirar a música negra do gueto, o que torna ainda mais irônicas sua mudança de cor e a famosa obsessão com a aparência. Sua megalomania e os traumas da infância - se ele foi adulto precoce ou criança tardia, vocês decidem - podem ser apontados como responsáveis por seu declínio, que sempre nos deixou na expectativa por uma volta à altura de sucessos como Thriller e Bad. Pena que não deu.

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Feliz Dia da Toalha para todos!

Estoy a oír: Stephen Moore - Marvin, I Love You

“O que adianta a gente passar a noite em claro discutindo se Deus existe ou não, pra no dia seguinte essa máquina dizer qual é o número do telefone dele?”

(Douglas Adams)

Sem muito mais a dizer, fica a homenagem do Sala de Justiça ao velho DNA.

E Orgulho Nerd é os coletes da velha!

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A bolha da podosfera brasileira

Estoy a oír : David Bowie & Billy Corgan - All the Young Dudes

Os economistas adoram explicar viradas repentinas no mercado dizendo que “a bolha estourou”.

Traduzindo: um produto ou investimento que gerava rios de dinheiro deixou de dar lucro subitamente, fazendo com que aqueles que aplicaram suas economias nele percam todo o investimento. O resultado todos nós conhecemos bem.

Ainda que não envolva nem de longe quantidades de dinheiro tão volumosas quanto a bolsa de valores, dá pra dizer que a bolha da podosfera brasileira estourou. Vários programas estão terminando ou prosseguindo com dificuldade, em grande parte devido à suposta “falta de tempo” de seus componentes.

A razão principal? Simples: como disseram Alottoni e Azaghal ao saber que alguns colaboradores do Jovem Nerd News (inclusive eu) começaríamos o Dimensão Nerd, não é fácil manter um podcast. E muita gente não se dá conta disso até já estar envolvida e desesperada.

Pra começar, fazer um podcast toma tempo. MUITO tempo. Fazendo uma média dos programas da Kombo Podcasts, calculo que um programa semanal de 40 minutos de duração leve cerca de 10 horas de trabalho para ficar pronto, entre gravação e edição. Se bem que o principal ponto não é o longo tempo “em estúdio”, e sim a responsabilidade de cumprir prazos e manter a qualidade do programa. Parece que muita gente começa podcast simplesmente por achar legal, sem ter idéia da bucha que um projeto desses significa.

O sonho do podcast próprio não é tão fácil de realizar, até porque todos estamos acostumados com algo bem mais fácil de administrar - blogs. Não que seja moleza, claro (eu sei bem disso, tenho este e mais oito) mas blogar dá BEM menos trabalho: bastam algumas horas lapidando um bom texto de vez em quando e pronto, a página está atualizada.

Blogs não precisam de vinhetas bacanas, trilha de fundo ou que você corte aquela gaguejada na hora de dizer o nome de um escritor soviético. E, a menos que você escreva como o Seu Creysson, ninguém vai deixar comentários em TODOS os seus artigos reclamando deste ou daquele erro. Os dois tipos de projeto exigem muita dedicação, claro, mas eu diria que se tornar um podcaster exige níveis de paixão e disponibilidade de tempo ligeiramente mais elevados.

Mas, claro, simplesmente sentar e reclamar não adianta. Como nos lembram as chamadas em que o SBT cita Albert Einstein, para quem está preparado a crise nada mais é do que uma oportunidade. Que sobrevivam os bons podcasts, e que novas e boas idéias nasçam desta aparente derrocada. E lembrem-se, crianças: se forem começar um podcast, tenham certeza de saber em que estão embarcando. Não é nenhum cruzeiro no Caribe, mas fazendo tudo direitinho você se diverte tanto ou mais.

(Agradecimentos a Vinícius Schiavini pelos primeiros esboços da teoria aqui apresentada.)

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Aaron Sorkin imagina um encontro entre Bartlet e Obama

Estoy a oír: Dire Straits - Brothers in Arms

Pouco antes da eleição presidencial americana de 2008, a colunista Maureen Dowd pediu a Aaron Sorkin, o criador da série The West Wing - da qual, como vocês sabem, sou ultrafã - que imaginasse um encontro entre o à época candidato em ascensão Barack Obama e o presidente Jed Bartlet, vivido por Martin Sheen na telinha. Tomei a liberdade de traduzir este texto, que vocês podem conferir abaixo.

Barack Obama bate na porta de uma casa de fazenda de 300 anos em New Hampshire, enquanto seus seguranças do Serviço Secreto aguardam na entrada. A porta se abre, e Obama fica cara a cara com o ex-presidente Jed Bartlet.

BARTLET – Senador.
OBAMA – Sr. Presidente.
BARTLET – Você parece surpreso.
OBAMA – Eu não esperava que o senhor atendesse à porta pessoalmente.
BARTLET – E eu não esperava que você tivesse problemas para vencer John McCain e uma republicana que usa cosméticos Lancôme e acha que os Flintstones foram inspirados numa história real, então vamos dizer que empatamos.
OBAMA – Sim, senhor.
BARTLET – Entre.

Bartlet conduz Obama até sua sala de estudos.

BARTLET – Foi uma convenção dos diabos.
OBAMA – Obrigado, eu fiquei orgulhoso.
BARTLET – Eu estava falando dos republicanos. Todo aquele papo de “nós-contra-eles”. Como democrata eu fiquei surpreso em descobrir que não gosto de cidades pequenas, de Deus, pessoas que têm empregos ou os EUA. Não tenho acompanhado as notícias, mas parece que há uma nova lei de que o vice-presidente deve aparecer em público vestido de alce…
OBAMA – Escute…
BARTLET – E vender o Força Aérea Dois no eBay?
OBAMA – Brinque o quanto quiser, sr. presidente, mas deu certo.
BARTLET – Imagine a minha surpresa. O que posso fazer por você, rapaz?
OBAMA – Estou interessado nos seus conselhos.
BARTLET – Não posso dá-los a você.
OBAMA – Por que não?
BARTLET – Estou apoiando o McCain.
OBAMA – Por quê?!
BARTLET – Ele prometeu erradicar o mal, e isso sempre esteve na minha lista de “coisas para fazer”.
OBAMA – OK…
BARTLET – E ele se cercou, eu acho, com a melhor equipe possível para nos tirar de uma crise econômica. Por exemplo, Sarah Palin disse que a Fannie Mae e a Freddie Mac (N.T.: apelidos da FNMA e FHLMC, empresas de crédito americanas) ficaram “grandes e caras demais para os contribuintes”. Você consegue encontrar o erro nessa frase?
OBAMA – Claro, a Fannie Mae e Freddie Mac não recebem dinheiro do contribuinte.
BARTLET – Bem, agora são. Isso me lembra daquela vez em que o Bush disse que a Previdência Social não era um programa do governo. Ele errou só por um pouco – a Previdência Social é o maior programa do governo.
OBAMA – Aprecio seu senso de humor, senhor, mas eu realmente poderia aproveitar seus conselhos.
BARTLET – Bem, parece que você está tendo o mesmo problema que eu tive duas vezes.
OBAMA – Qual?
BARTLET – Um grande número de americanos achava que eu era melhor que eles.
OBAMA – E?
BARTLET – Eu era.
OBAMA – Quero dizer, como você superou isso?
BARTLET – Não vou mentir para você, ser fictício foi uma grande vantagem.
OBAMA – Como assim?
BARTLET – Eu sou um presidente fictício. O senhor está sonhando, senador.
OBAMA – Estou dormindo?
BARTLET – Sim, e você está perdendo uma tonelada de votos de mulheres brancas.
OBAMA – Sim, senhor.
BARTLET – Estou falando de toneladas.
OBAMA – Entendo.
BARTLET – Eu nem sabia que havia tantas mulheres brancas.
OBAMA – Eu vi os números, senhor. O que elas querem de mim?
BARTLET – Eu estou casado com uma mulher branca há 40 anos, e ainda não sei o que elas querem de mim.
OBAMA – E como você conseguiu?
BARTLET – Bem, eu digo “me desculpe” muitas e muitas vezes.
OBAMA – Não estou falando do seu casamento, senhor. Como conseguiu ter o país a seu lado?
BARTLET – Novamente, eu não tinha que ser o presidente do país inteiro; eu só tinha que ser o presidente das pessoas que assistiam The West Wing.
OBAMA – Isso facilita muito as coisas.
BARTLET – Você se daria bem na NBC. Quintas à noite, entrando no lugar de E.R. e começando logo depois de 30 Rock, você conseguiria 20, 22% de audiência – e venderia anúncios a US$450 mil por minuto.
OBAMA – O que isso quer dizer?
BARTLET – Conversa de televisão. Achei que estaria interessado.
OBAMA – Não estou. Eles desistiram do argumento de que eu era inexperiente, para começar a dizer – veja só – que eu não sou o Messias, que a propósito era um organizador comuntiário. Quando falo, tento liderar com inspiração e atitude. Como isso pode ser arrogância?
BARTLET – Porque a idéia da América ser excepcional não significa que os americanos devam ser excepcionais. Se você se formou com excelência acadêmica e usa um vocabulário de mais de 700 palavras, então o próximo passo é fazer um vídeo em que você mostra o dedo médio para a Estátua da Liberdade enquanto as Dixie Chicks (N.T.: grupo de cantoras country conhecidas por sua posição anti-Bush) cantam o hino de guerra talibã. As mesmas pessoas que querem que o inglês seja decretado língua oficial dos EUA se sentem desconfortáveis com a idéia de seus líderes falarem o idioma fluentemente.
OBAMA – Está dizendo que minha raça não tem nada a ver com isso?
BARTLET – Eu não iria tão longe. Inteligência te faz parecer arrogante, mas eles te fazem parecer superior. Além disso, se você tem uma filha negra…
OBAMA – Eu tenho duas.
BARTLET – …que tem 17 anos e engravidou de um garoto cujo projeto de carreira é virar rapper e tatuar “Thug Life” no peito, você ficaria em quinto numa disputa com Bob Barr, Ralph Nader e uma figueira.
OBAMA – Você não está me animando.
BARTLET – Você me chamou aqui pra isso?
OBAMA – Não, mas não te mataria tentar.
BARTLET – Já tentou fazer um programa de duas horas, ou um especial de Natal realmente bom?
OBAMA – Senhor…
BARTLET – Espere. Preste atenção. Há alguma chance de você engravidar a Michelle antes da pausa de outono?
OBAMA – O problema é que não podemos parecer irritados. Bush nos chamou de “esquerda irritada”. Você viu alguém irritado em Denver?
BARTLET – Bem…deixe eu pensar…entramos em Guerra contra o país errado, Osama bin Laden comemorou sete anos sem ter sido pego morto ou vivo, minha família está menos segura do que estava há oito anos, perdemos trilhões de dólares, milhões de empregos, milhares de vidas…e uma cidade inteira por causa do mau tempo. Então, sabe…eu estou um pouco irritado.
OBAMA – O que você faria?
BARTLET – FICARIA MAIS IRRITADO! Chame-os de mentirosos, porque é isso que eles são. Sarah Palin não disse “obrigada, mas não” à Ponte para Lugar Nenhum (N.T.: apelido do projeto de ponte que ligaria a cidade de Ketchikan, Alasca, à ilha de Gravina Island, que abriga um aeroporto e cerca de 50 habitantes. O projeto, abortado em 2005, custaria US$ 400 milhões.) Ela só disse “obrigada”. Você foi criado por uma mãe solteira que fazia compras em lojas de descontos – como é que um cara de Annapolis que tem oito casas sai por aí dizendo que você é elitista? A propósito, se não estiver fazendo nada, vamos analisar essa palavra. Elite é uma boa palavra, significa “acima da média”. Eu perguntaria qual é o problema deles com excelência. Enquanto estiver lá, eu quero a palavra “patriota” de volta. McCain pode dizer que o assunto transcendente da nossa época é o fanatismo islâmico ou pode escolher uma candidata a vice que não consegue distinguir a doutrina Bush da doutrina Monroe, mas ele não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo e chamar isso de patriotismo. Eles TÊM que mentir – a verdade não está do lado deles no momento. Fique irritado. Caçoe deles sem dó; eles fizeram por merecer. McCain reclamou dos agentes da intolerância, e depois escolheu uma candidata a vice que teve que perguntar se podia banir livros de bibliotecas públicas. Não é ruim o bastante que ela ache que o mundo foi criado em seis dias há 6.000 anos com um casal e uma cobra falante, ela quer que nossas escolas ensinem as crianças a negarem geologia, antropologia, arqueologia e bom senso? Não é ruim o bastante que ela esteja empurrando a própria filha para um casamento sem amor com um adolescente encapuzado, agora ela que o resto de nós faça o mesmo com nossas filhas? Não é suficiente que uma mulher não tenha direito à escolha, a lei tem que obrigá-la a ter o filho de um estuprador? Não sei se a governadora Palin tem a tenacidade de um pitbull, mas ela com certeza tem as qualificações de um. E você está com medo de parecer irritado? Você poderia comer a merenda deles, fazê-los chorar e contar para a mamãe… e o próprio Deus diria que é pouco. Há momentos em que você PRECISA ser rude. Há situações para as quais a condescendência foi criada!
OBAMA – Foi bom pra você colocar isso pra fora?
BARTLET – Estou te atrasando para alguma coisa?
OBAMA – Bem, não é como se eu já não soubesse de tudo que você levou vinte minutos para dizer.
BARTLET – Eu sei que tenho um problema, mas aceitar é o primeiro passo.
OBAMA – Qual é o segundo passo?
BARTLET – Eu não ligo.
OBAMA – E quanto à esperança? Vamos deixá-la de lado, extravasar nossa raiva e colocá-los para baixo?
BARTLET – Não. Você faz parte da elite, você pode fazer ambos. Quatro semanas atrás você teve a melhor semana da sua campanha, seguida – causada por, inexplicavelmente – da pior semana da sua campanha. E você continua na mesma subida morna nas pesquisas. Você é um negro de 47 anos com um sobrenome estrangeiro, que se formou em Harvard, acredita que devoção à pátria e broches com a bandeira não são a mesma coisa e está empatado nas pesquisas com um herói de guerra e uma heroína da Cinemax. Aos meus olhos cansados, senador, essa é a cara do progresso. Vocês têm quatro debates. Saia da minha casa e volte ao trabalho.
OBAMA – Espere…como era mesmo aquilo que você dizia? Quando vocês topavam com um problema na série, e o seu pessoal ficava desanimado e deprimido? Você dava um sermão neles, e sempre terminava com a mesma frase. Como era mesmo…?
BARTLET – “A folga acabou”.

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Movimento Blog Voluntário 2009: Creative Commons / 3ª. Silly Walk Brasil

stoy a oír: The Strokes – Heart in a Cage

Esta postagem faz parte do Movimento Blog Voluntário, parte do Dia Global do Voluntário Jovem. Para saber mais, visite o site do Movimento.

A popularização da Internet trouxe consigo uma aparentemente interminável discussão sobre proteção de conteúdo e direitos autorais. Isso fez com que diversas formas de licenciamento de trabalhos criativos surgissem como opções ao tradicional “todos os direitos reservados”.

A licença “alternativa” mais comentada é a Creative Commons (ou simplesmente CC), que é usada por muitos mas infelizmente entendida por poucos. Pensando nisso, resolvi explicar como funciona esta licença.

Abaixo, algumas das principais dúvidas sobre esta forma de licenciamento e suas respostas.

* O que é a Creative Commons?

Creative Commons é uma licença (ainda que muitos prefiram definí-la como uma filosofia) que tem por objetivo desburocratizar a circulação de informações, partindo da máxima de que “a informação deseja ser livre”. Ao estampar em seu site o que pode ou não ser feito com o conteúdo que disponibiliza, você ajuda a agilizar a distribuição deste conteúdo.

Claro que essa distribuição deve seguir algumas regras. A principal delas diz que, ao reproduzir material criado via CC, sejam citados autor e fonte, com link para o original. Esta é a única regra “obrigatória” da CC – ao colocar a licença em seu site, o autor pode optar por exigir ou não o cumprimento das outras.

As regras “opcionais” da Creative Commons são:

* proibição da produção de conteúdo derivado (por exemplo, um remix de música ou montagem de fotos) sem autorização do autor;

* se permitida a produção de conteúdo derivado, obrigatoriedade de que a distribuição desse conteúdo seja feita sob licença igual à do original;

* proibição de uso comercial sem autorização do autor.

* E se copiarem meu material?

Aí depende. O maior problema relacionado à Creative Commons é que muita gente submete suas criações à licença antes de entender bem como ela funciona, o que gera muitas confusões posteriores.

O maior deles diz respeito às reproduções, e para esclarecê-lo voltaremos à resposta anterior. Se a cópia aconteceu conforme as regras da CC, não há do que reclamar. A licença existe justamente para melhorar a circulação de informações, lembra?

Por outro lado, se as reproduções do seu material ocorrerem em condições que violem as definidas por você no momento do licenciamento (uma foto tirada por você aparece na capa de uma revista se você não permitiu uso comercial, por exemplo), entre em contato com a pessoa ou empresa que copiou seu trabalho e reclame.

Quanto ao que são ou não “fins comerciais”, esta é uma questão delicada. Atualmente, a maioria dos blogs traz AdSense ou outras formas de monetização, mas muitos especialistas não consideram tais anúncios como fins lucrativos. Até porque, convenhamos…quem ganha dinheiro com AdSense?!

* Usaram uma foto que licenciei sob CC para fazer uma montagem ofensiva, ou da qual simplesmente não gostei. Posso interromper a distribuição?

Aí depende.² Quando as regras são seguidas, só é possível exigir o “recolhimento” de material distribuído sob CC quando um autor de conteúdo envolvido sente-se ofendido pelo material derivado. Se esse não for o caso, entretanto, você pode solicitar a dissociação do seu nome de qualquer conteúdo derivado que não lhe agrade.

* Desisti de distribuir meu material sob Creative Commons. Posso exigir que tudo que foi produzido a partir desse material deixe de ser distribuído?

Não. Ao cancelar a distribuição por Creative Commons, você passa a não autorizar novas reproduções e derivações do seu material. Entretanto, o conteúdo derivado que foi produzido enquanto seu trabalho estava sob CC segue obedecendo às regras da licença.

* Quem usa Creative Commons?

Muitos dos principais blogueiros do Brasil e do mundo…mas não só eles. Embora a Creative Commons tenha sido criada visando principalmente a distribuição virtual de textos e imagens, ela é usada em outras áreas. Artistas como Beastie Boys, André Abujamra e David Byrne licenciaram seus trabalhos mais recentes por meio da CC.

* Onde posso encontrar conteúdo registrado sob Creative Commons?

Há diretórios específicos para textos, músicas, imagens e até podcasts distribuídos sob CC. Os principais são:

* Podsafe Music Network
* Creative Commons Images
* Creative Commons Books
* Creative Commons Texts
* Flickr - Creative Commons
* ManyBooks.net - categoria CCL

* A Creative Commons impede que plagiem um texto meu?

Nenhuma licença ou legislação vai proteger seu conteúdo dos sanguessugas que copiam conteúdo alheio. Entretanto, a Creative Commons pode ser uma ferramenta para conseguir uma retratação ou mesmo o recolhimento do material plagiador.

É bom deixar claro, aliás, que existe uma grande diferença entre reprodução autorizada e plágio. O plágio é a cópia sem que seja citada a fonte ou dado o devido crédito ao autor. A CC não estimula nem autoriza o plágio.

* OK, entendi como funciona a Creative Commons e quero submeter meu blog à licença. Como devo proceder?

Visite o site oficial da Creative Commons e clique em Publique. Siga os procedimentos, defina quais regras deseja seguir e você receberá um código HTML para colar em sua página. Esse código gera um banner que explica visualmente quais regras devem ser seguidas ao reproduzir o conteúdo da sua página.

Para quaisquer dúvidas sobre CC não explicadas neste texto, visite o referido site oficial.

********************************************************

Terminado o momento voluntário, vamos ao auto-jabá. :D

No próximo dia 17 de maio, realizaremos em São Paulo a terceira edição da Silly Walk Brasil. O esquema é o mesmo das duas edições de ano passado, então já sabem: preparem seus chapéus, maletas e guarda-chuvas, e vamos praticar silly walk Paulista afora!

(Aliás, esta parece uma boa hora para sugerir um link onde você pode ler tudo que já foi publicado aqui no Sala sobre as edições anteriores.)

Para outras novidades e maiores informações, participe da comunidade SWB no orkut.

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Pérolas de sabedoria do mestre Ash

Estoy a oír: Alternativando #2 - Ronaldo Silva

OK, já falamos de Homer Simpson, Haroldo e Max, mas a lista de mestres filósofos da ficção ainda está longe de terminar.

Falemos agora de Ash, o matador de mortos-vivos imortalizado por Bruce Campbell na trilogia Uma Noite Alucinante. Mais que um típico protagonista de filme B, o homem que tem uma serra no lugar da mão esquerda é o ícone de um gênero e, porque não, de um estilo de vida - basta dizer que ele inspirou o übermachão Duke Nukem, que vez por outra cita suas frases mais famosas.

E pensar que Campbell e o diretor Sam Raimi queriam que o personagem morresse carbonizado no final do primeiro longa…

“É um truque. Pegue um machado.”

“Não toque nisso, por favor. Sua mente primitiva não entenderia os conceitos de ligas, compostos e coisas com…estruturas moleculares.”

“Olha aqui, doçura, eu como o perigo no café da manhã e no jantar. Então é melhor espalhar a mensagem: Ash está de volta.”

(tentando lembrar as palavras do feitiço que impede a ressurreição dos mortos-vivos) “Clatto… Veratta… N…(tosse) Netrom, néctar, níquel…é uma palavra com N, tenho certeza de que é uma palavra com N!”

“Primeiro você quer me matar, depois quer me beijar…”

“Seus…seus…desgraçados! Devolvam minha mão! DEVOLVAM MINHA MÃO!”

(depois de decepar sua mão possuída) “Tudo bem…quem está rindo agora? QUEM ESTÁ RINDO AGORA?”

“Querem um pedaço de mim? QUEREM UM PEDAÇO DE MIM?!”

“Podemos acabar com esses desmortos…com ciência.”

“Isso mesmo…cante pro Rei!”

(mirando sua famosa espingarda) “Engula isso.”

“Venham me pegar.” (ou, como Duke costuma dizer, “Come get some”.)

“Quem quer um pouco disso? Quem é o próximo?!”

(depois de perceber que um olho está crescendo em seu ombro) “Ah meu Deus, está ficando maior!!!!!

“Bom ou mau, eu sou o cara com a arma.”

(depois de substituir sua mão decepada por uma motosserra) “Groovy!”

“Talvez meus rapazes possam cuidar do livro. É. E talvez eu seja um piloto de jato chinês.”

(respondendo a um desmorto que pergunta quem é ele) “Meu nome é Ash. (atira) Artigos domésticos.”

(olhando para o espelho) “Estou bem…”
(o reflexo de Ash sai do espelho e o agarra) “Nós acabamos de esquartejar nossa namorada com uma motosserra. Isso é ‘estar bem’ pra você?”

(para um morto-vivo que aparece no S-Mart) “Senhora, receio que eu vá ter que lhe pedir para sair da loja.”

E, por último, a pérola suprema, que eu nem vou me dar ao trabalho de traduzir:

“HAIL TO THE KING, BABY!”

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Pode beijar a noiva

Estoy a oír: Biquíni Cavadão - Ilegal, Imoral ou Engorda

Um dia como tantos outros num cartório. Gente esperando documentos que levam cinco minutos para serem feitos mas demoram quatro meses para serem entregues, testamentos sendo assinados e lidos – os que já não estão ou logo não estarão mais neste mundo definindo o futuro daqueles que ficarão.

Eis que de repente surge um homem. Bem-vestido, ainda que não particularmente bonito, ele caminha resoluto até o funcionário encarregado dos casamentos.

– Por favor, eu queria tirar uma dúvida.
– Pode falar – responde o funcionário, estendendo a mão para convidar o visitante a tomar uma cadeira. – Fique à vontade.
– Obrigado – diz o homem, sentando-se. – É coisa rápida, não quero tomar muito do tempo do senhor.
– Que é isso! Justo hoje isso aqui tá tranqüilo. Você precisava ver na semana passada. Sabe como é, época de Imposto de Renda…mas felizmente já passou. O senhor disse que tem uma dúvida.
– Tenho, sim. Com quanto tempo de antecedência eu preciso marcar para celebrar meu casamento?
– Depende da época. Maio e dezembro lotam depressa, mas os outros meses são mais tranqüilos. Acho que uns dois meses antes, pra ter certeza.
– Ótimo – sorri o homem bem-vestido – Achei que demorasse mais. Posso agendar para daqui a dois meses, então?
– Naturalmente – confirma o funcionário, abrindo um grande caderno preto que cobre os papéis espalhados pela mesa. – Mas…desculpe a curiosidade, o senhor não trouxe sua noiva? Não me entenda mal, é que a maioria dos casais gosta de escolher a data juntos…
– Ah, quanto a isso o senhor pode ficar tranqüilo. Qualquer data que o senhor escolher para ela tá bom.
– Mas ela não está aqui.
– Sob um certo ponto de vista, sim. Eu diria pro senhor que ela é aqui.

Esta curiosa frase faz o rosto do funcionário se contrair numa expressão peculiar.

– Perdão? – e neste caso “perdão?” pode ser entendido como “alguém ligue pro Juquiri!”
– Ela é este lugar. E lá fora, e todo o caminho que eu fiz pra chegar até aqui…a cidade é minha noiva.
– O-o senhor está me dizendo que quer se casar com a cidade?! – o funcionário já começara a esquecer o tom cortês, e falava como se lhe dissessem calmamente que alguém jogara uma bigorna sobre seu carro zero.
– Isso mesmo. Eu sei que não é um procedimento muito normal, mas…
“Não é muito normal”? Meu senhor, isso é a coisa mais absurda que eu já ouvi na vida! É impossível casar uma pessoa com uma cidade! Meu Deus, isso deve ser até ilegal!
– Ilegal eu sei que não é – devolveu o pretenso noivo da cidade – Consultei a Constituição, os Códigos Penal e Civil…não consta nenhuma proibição a esse respeito. E, se não é proibido…

“…deve ser permitido”, diz o senso geral. O mesmo senso geral ao qual o funcionário se agarrava para se livrar logo daquele lunático.

– Senhor, o senhor precisa entender que, de acordo com as mesmas leis que o senhor acaba de citar, pessoas só se casam com pessoas! – percebendo que discorrer sobre a legalidade da estranha união seria tão útil quanto dar moderadores de apetite à população da Somália, o funcionário do cartório decidiu convencer o homem da loucura que ele estava prestes a fazer. – Tudo bem. Já vi que o senhor tem a Constituição a seu lado. Mas por que exatamente essa decisão de se casar com uma cidade?
– Ela não fala com o senhor?
– O quê?
– A cidade. Ela não fala com o senhor assim como fala comigo?

“Um dia tranqüilo, eu disse”, pensa o funcionário do cartório, balançando a cabeça e apertando as sobrancelhas com os dedos. “Estava tudo calmo, um dia perfeito, e tinha que me aparecer um maluco!”

– Então quer dizer que a cidade fala com o senhor – sintetizou, sem sair de sua posição de quase-desespero – O senhor pode me explicar melhor isso?
– É…complicado de explicar. Quero dizer, ela não fala com palavras, o senhor entende? Todos nós carregamos um pouco dela conosco…e ela também tem um pouco de cada um de nós. A cidade é viva, tem uma…alma própria.

Isso podia soar como uma campanha publicitária de um shopping qualquer, mas até que fazia algum sentido. Afinal, mesmo um frio funcionário de cartório sentia algo diferente quando andava pelas ruas da cidade – como se o concreto e o aço não fossem nada além de uma extensão do seu próprio organismo.

– E o que é exatamente que a cidade diz para o senhor? – indagou o escriturário, curioso.
– Em alguns momentos, “socorro” – sorriu o pretenso noivo, logo reassumindo o tom de seriedade apaixonada – Mas de modo geral eu escuto o coração de cada um dos que andam pela cidade. Escuto a cidade chamando por mim quando viajo…e sinto que ela me recebe de braços abertos quando volto.
– Estou pensando no que o senhor está dizendo, e acho que talvez a cidade já tenha falado comigo antes…
– Ah, ela fala com todos… mas poucos a escutam. Eu escutei uma vez…e percebi que não consigo mais viver sem ela. Até troquei de emprego só para poder viajar pela cidade todos os dias.
– Mas isso…
– Não é o que ela diria ao senhor? Tudo bem. Ela diz coisas diferentes a cada um de nós. A cidade que me abriga…a minha cidade…não é sua cidade, nem a cidade daquele motoboy ali na frente, já que cada um de nós vê as mesmas coisas de formas diferentes.
– De fato, mas…
– O fato de viajarmos juntos – tornou a interromper o “noivo”, com o indicador em riste – não quer dizer que façamos a mesma viagem. O mesmo ônibus leva os que vêm e os que vão, cada um com experiências diferentes.

O escrivão passou a tarde ouvindo as teorias do homem sobre sua metrópole-noiva, e como não havia nada que proibisse a consumação do estranho matrimônio marcaram uma data. Parece inclusive que a lista de presentes já foi entregue aos candidatos à Prefeitura.

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