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Bill Watterson em rara entrevista

Estoy a oír: Barão Vermelho - Meus Bons Amigos

Depois de quase quinze anos num isolamento que lhe rendeu comparações ao recém-falecido J.D. Salinger, Bill Watterson, criador de Calvin & Haroldo (aka “a maior tira da história do Universo”) deu uma rápida entrevista por e-mail ao repórter John Campanelli, do jornal americano Plain Dealer - algo digno de prêmio jornalístico, tanto que o próprio Campanelli deu algumas entrevistas depois comentando a proeza.

Enquanto nos perguntamos como ele conseguiu, segue a entrevista traduzida na íntegra.

Após quase 15 anos de separação e reflexão, o que você acha que fez Calvin & Haroldo não só atrair a atenção dos leitores, mas ganhar um lugar em seus corações?

A única parte que entendo é a que vem da criação da tira. O que os leitores levam dela diz respeito apenas a eles. Depois que a tira é publicada, os leitores trazem suas próprias experiências para ela, e o trabalho cria vida. Cada pessoa responde de forma diferente a diferentes trechos.

Eu tentava apenas escrever honestamente, e tentei fazer deste pequeno mundo um lugar divertido de se olhar, para que as pessoas parassem para ler a tira. Isso era tudo em que eu podia interferir. Você mistura vários ingredientes, e de vez em quando a química acontece. Não posso explicar porque a tira teve tamanha repercussão, e não acho que poderia repetir esse sucesso. Muitas coisas teriam que dar certo ao mesmo tempo.

O que você acha do legado da tira?

Bem, eu não fico acordado até altas horas pensando nisso. Os leitores sempre decidem se o trabalho é significativo e relevante para eles, e eu posso viver com qualquer conclusão a que eles cheguem. Novamente, minha parte no processo termina quando a tinta seca.

Os leitores se tornam amigos dos personagens, então é compreensível que eles tenham lamentado - e que ainda lamentem - o final da tira. O que você tem a dizer a essas pessoas?

Não é tão difícil de entender quanto as pessoas fazem parecer. Depois de dez anos, eu basicamente tinha dito tudo o que tinha a dizer.

É sempre melhor sair cedo da festa. Se eu tivesse seguido com a popularidade da tira e repetido minhas idéias por outros cinco, 10 ou 20 anos, as pessoas que agora “lamentam” o fim de Calvin & Haroldo estariam desejando minha morte e amaldiçoando os jornais por insistirem em tiras velhas e tediosas em vez de dar uma chance a talentos mais novos. E eu concordaria com elas.

Acho que um grande motivo para Calvin & Haroldo ainda ter público hoje é que eu escolhi não forçar a tira além do seu limite. Nunca me arrependi de ter parado quando parei.

Como seu trabalho tocou muitas pessoas, os fãs sentem uma conexão com você, como se te conhecessem. Eles querem mais do seu trabalho - mais Calvin, uma outra tira, qualquer coisa. É realmente um relacionamento de astro do rock e fã. Devido à sua aversão por atenção, como você lida com isso, mesmo hoje em dia? E como você lida com o fato de que terá que conviver com isso pelo resto da vida?

Ah, a vida de um cartunista de jornal - como eu sinto falta das groupies, das drogas e dos quartos de hotel destruídos!

Mas desde meus dias de astro do rock, a atenção pública diminui um bocado. Em tempo de cultura pop, os anos 90 foram há eons atrás. Acontece de aparecer um maluco ou outro, mas na maior parte do tempo eu sigo com minha vidinha quieta e faço meu possível para ignorar o resto. Tenho orgulho da tira, sou enormemente grato pelo seu sucesso, e muito grato às pessoas que ainda a lêem, mas eu escrevi Calvin & Haroldo por volta dos meus 30 anos, e estou muitas milhas além disso.

Um trabalho de arte pode parar no tempo, mas eu sigo através dos anos como todo mundo. Acho que os fãs mais fervorosos entendem isso, e se sentem à vontade para me dar espaço para seguir com minha vida.

Quanto tempo depois dos Correios lançarem o selo de Calvin você vai enviar cartas com um deles no envelope?

Imediatamente. Vou subir no meu cavalo-buggy e mandar um cheque para pagar pela minha assinatura do jornal.

Como você gostaria que as pessoas se lembrassem daquele garotinho de seis anos e seu tigre?

Eu voto em “Calvin & Haroldo, a Oitava Maravilha do Mundo”.

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Campus Party 2010, um evento de pessoas

Estoy a oír: Dimensão Nerd #73 - Campuseiros Com Tri-Globos de iPedra

(Só explicando que não fiz flashes diários, como ano passado, por um motivo tão simples quanto idiota: como geralmente atualizo o blog pelo desktop, precisaria recuperar a senha do Wordpress no notebook. E, acreditem, não consegui fazê-lo. Mas já tenho a senha anotada, para futuras situações semelhantes.)

Histeria coletiva na madrugadaQuando cheguei em casa no sábado à noite, depois de passar metade da semana acampado no Centro de Convenções Imigrantes, uma das primeiras perguntas que minha mãe me fez foi “o que você achou da Campus Party?”

Respondi que, do ponto de vista das campanhas, foi a edição mais fraca do evento já realizada…mas, em relação às pessoas com quem conversei, foi a melhor.

Calma que eu explico. As grandes empresas parecem ter ido com menos ânimo à Campus Party deste ano. Entre os grandes portais, apenas o Terra marcou presença. Poucas ações de marketing de verdadeiro impacto aconteceram, com destaque para a Vivo, que além de distribuir chips e pacotes de SMS grátis promoveu um concurso valendo uma viagem para a Copa do Mundo, e para a Nokia, que apenas com aromatizante de hortelã e luz especial montou um lounge do qual ninguém queria sair.

Por outro lado, a organização melhorou muito, resolvendo alguns grandes problemas do ano passado (principalmente por remover o maldito microfone central) e organizando melhor a área de campuseiros, aumentando o espaço útil. Claro que ainda há coisas a serem corrigidas, mas já deu para perceber que a organização escuta o público e busca sempre melhorar.

Quanto ao acampamento, por incrível que pareça não tive problemas para dormir - em parte graças à dupla protetor auricular e máscara, que me habituei a usar mesmo em casa. A barulheira que acontecia 24 horas por dia no pavilhão principal (principalmente gritos de “ooooooooooooooooh” ) não chegava ao final do acampamento, onde a minha barraca estava, e os chuveiros eram bem isolados. Claro que senti falta de dormir com a Zatanna enrolada nas minhas pernas, mas ela parece ter sobrevivido bem a quatro dias sem mim.

Fiz uma pequena farra de downloads, mas não consegui baixar 70% dos filmes pedidos pelos meus irmãos - e muita coisa que eu mesmo queria vou deixar para pegar em casa mesmo, com minha conexão “lerda” de 1Mbps. Isso porque sempre havia um amigo de longa data pra bater papo ou um freeplay de Street Fighter 4 em algum lugar para me manter longe do micro.

Com @danikoetz e @schias

Isso porque, como o título desta postagem afirma, o melhor nesse evento de tecnologia foram as pessoas. Reencontrei muitos amigos que não via há tempos, conheci pessoalmente outros que habitavam minhas listas de contatos e fui apresentado a mais alguns que logo se tornaram grandes amizades. Encontrar tantas pessoas queridas (e ouvir tantos elogios ao meu trabalho) acabou transformando essa semana numa grande massagem no ego, que certamente não terminou quando eu cheguei em casa.

E a Kombo ainda conseguiu manter a tradição iniciada ano passado, gravando uma série de flashes e um Dimensão Nerd especial com a ansiosamente aguardada presença de Dani Koetz. Mas a parte mais engraçada foi tomar bronca de pesos-pesados da Internet brasileira por não tê-los chamado pra turma antes…

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Sossega, Robinho!

Estoy a oír: The Clash - London Calling

Desde que surgiu para o futebol, levando o Santos a seu sétimo título brasileiro, Robinho demonstrou duas características básicas: a rara habilidade com a bola nos pés…e a incapacidade de sair de um clube deixando as portas abertas.

Analisemos o histórico. Em 2005, empolgado por uma oferta do Real Madrid, ele ignorou o desejo de infância de defender o arquirrival Barcelona e deu um ultimato à direção do Santos - se não fosse liberado para o clube espanhol, ele simplesmente ficaria no Santos até o fim de seu contrato, para então sair sem dar um centavo ao glorioso alvinegro praiano.

Numa demonstração da infeliz dependência desenvolvida por nossos clubes, o Santos o liberou, mas não antes de uma série de partidas que fez as vezes de turnê de despedida. Robinho então apresentou-se ao clube merengue, onde chegou com status de craque e camisa 10…e saiu também brigado, depois de descobrir que estava sendo oferecido como moeda de troca na contratação do marrento, mas cracaço, Cristiano Ronaldo. Justificativa: a nova direção do Real considerava o garoto de São Vicente “glamuroso demais” e pouco preocupado com o que acontecia dentro de campo.

O destino dos sonhos de Robinho era o poderoso Chelsea, mas para sua maior irritação o Real o liberou apenas no último dia da janela de transações para o modesto Manchester City. Na terra do Monty Python, a história se repetiu: Robinho chegou aclamado, foi destaque do time…mas logo foi eclipsado por Tévez e Adebayor, foi para o banco e viveu o vexame supremo de entrar e ser substituído no mesmo jogo.

A carreira de Robinho na seleção também seguiu as consequências de seu caminho tortuoso. De grande promessa e homem de confiança de Dunga, o atacante passou a dúvida na lista final para a Copa. E com toda razão - ou você convocaria um jogador que está na reserva de um time de segunda linha?

Percebendo que sua presença na África do Sul corre risco, Robinho afirmou ter recebido uma proposta do Barcelona. No clube catalão, ele julgava ter maiores chances de voltar à Seleção…mas como um jogador que mal consegue se firmar como titular de um clube médio pode esperar tomar a posição de Lionel Messi, Zlatan Ibrahimovic ou Thierry “Mãozinha” Henry?

(Não pode. Exatamente.)

A negociação com o Barça não deu em nada, e recentemente ventilou-se na imprensa o suposto interesse de Robinho em voltar ao mesmo Santos de onde saiu brigado cinco anos atrás. Ele nega e a diretoria nega, mas o importante nisso tudo é que não é assim que eu gostaria de ver Robinho voltar à Vila Belmiro. Imaginava que ele retornaria consagrado, já com seus 32 ou 35 anos, para encerrar a carreira ao lado de uma nova geração de Meninos da Vila. Como o próprio Robinho foi um dia, antes de em algum momento se perder na própria fama.

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Pérolas de sabedoria do mestre Gregory House

Estoy a oír: Massive Attack - Teardrop (tema da série House)

Sucesso de público e crítica, estão de volta as frases de grandes sábios da ficção.

O especialista da vez é o médico mais cínico, misantropo e mal-humorado da TV, brilhantemente interpretado por Hugh Laurie. Provando que formulaico nem sempre é ruim, House tem audiências invejáveis em sua sexta temporada contando com roteiros algo previsíveis compensados por alguns dos personagens mais carismáticos da história recente da TV - a começar pelo protagonista, cujas tiradas mais ácidas reproduzo abaixo.

“Quase morrer não muda nada. Morrer muda tudo!”

“Podemos viver com dignidade. Não podemos morrer com ela.”

“Bem, como já disse o filósofo M. Jagger, você não pode sempre ter aquilo que quer.”

“Se você fala com Deus, você é religioso. Se Deus fala com você, você é um psicótico.”

“As pessoas não mudam.”

“É uma verdade da condição de ser humanos que todos mentem. A única variável é sobre o quê.”

“As pessoas mentem por milhares de razões. Sempre existe uma razão.”

“Estou nessa. Estilo Rambo.”

“Ainda é ilegal fazer autópsia num paciente vivo?”

Mentiras são como as crianças: apesar de inconvenientes, o futuro depende delas.”

“Os tratamentos nem sempre funcionam. Sintomas nunca mentem.”

“Leia menos, veja mais TV.”

“Eu gosto mais de você agora que está morrendo.”

“Eu respeito coisas que merecem ser respeitadas. Essa decisão por outro lado, é como um cachorro usando uma capa.”

“O fato de eu ter errado não prova que Deus existe.”

“Você vai acreditar em mim? Eu minto sobre tudo.”

“Pessoas agem em benefício próprio. Vocês estão todos aqui porque vocês todos estão felizes por estarem aqui. Ou, pelo menos, porque essa é a melhor opção de vocês.”

“Eu fiquei maluco, não estúpido.”

“Seus lábios dizem não, mas seus hormônios dizem ‘Oh meu Deus,sim, continua’.”

“Eu sou incapaz de agir como ser humano.”

“Eu sou a última pessoa que você procuraria por um conselho sobre ética,o que significa que você já perguntou a todas as outras pessoas. E ninguém lhe deu a resposta que você queria.”

“Uma outra razão para não gostar de conhecer os pacientes. Se eles não sabem quem você é, eles não podem gritar com você.”

“Nós somos o que as pessoas acham que nós somos.”

“Ei, eu posso ser um idiota com pessoas que ainda não dormi. Eu sou realmente bom.”

“As pessoas escolhem os caminhos que as dão as maiores recompensas com o menor esforço.”

“Religião não é o ópio da massa, é o placebo dela.”

“Achei que ouviria suas teorias, faria pouco caso delas e depois adotaria as minhas. O de sempre.”

“Há só uma maneira de confirmar isso: injetar no rato o sangue dela e esperar que ele fique cheio de botulismo. Enquanto isso, vou lá embaixo intimidar uma adolescente assustada e agonizante até que ela sucumba como uma adolescente assustada e agonizante.”

“Se sua vida não é mais importante que a de ninguém mais, assine seu cartão de doador de órgãos e se mate.”

“Ele é importante para você. Entendi. Nada de placebos pra ele. Vamos usar remédios de verdade.”

“Tive um ataque cardíaco esta manhã. Não posso mais usar drogas até pelo menos a hora do almoço.”

“Você poderia ter deixado a echarpe em casa e dito a ele que estaria usando um traje de desespero.”

“Thirteen, você vai enfiar uma agulha na pélvis da sua namorada. E não, isso não é uma metáfora. Sugue um pouco de medula.”

“A verdade é que esperança é coisa de maricas.”

“Como pode Deus levar os créditos quando algum coisa boa acontece? Onde Ele estava quando o coração dela parou?”

“Eu sou muito bonito para cuidar da papelada.”

“A parte estranha de dizer a alguém que ela está morrendo, é que a ela tende a focar em suas prioridades. Você descobre o que realmente importa para elas. Pelo que elas estão dispostas a morrer. Pelo que elas estão dispostas a mentir.”

“Bizarro é algo bom. O comum tem milhares de explicações. O bizarro dificilmente tem alguma.”

“Não, não existe uma linha tênue entre o amor e o ódio. Na verdade, existe uma Grande Muralha da China,  com soldados armados a cada seis metros.”

“Eu sou fisicamente incapaz de ser gentil.”

“Você pode ter a fé quer quiser em espíritos, em vida após a morte, no paraíso e no inferno, mas se tratando desse mundo, não seja idiota. Porque você pode me dizer que deposita sua fé em Deus para passar pelo dia, mas quando chega a hora de atravessar a rua, eu sei que você olha para os dois lados.”

“Qualquer um pode odiar a humanidade depois de levar um tiro. É necessário um grande homem para odiá-la antes disso.”

“Perseverança não é igual a merecimento.”

“Você está me comparando a Deus? Quero dizer, isso é bom, mas só para você saber, eu nunca criei uma árvore.”

“Se nós fôssemos nos importar com todas as pessoas que estão sofrendo nesse planeta, a vida iria parar.”

Paciente: Existem outros meios de engravidar? Como sentar no toalete?
House: Certamente. Só seria necessário um cara entre você e o toalete, mas sim, certamente. Eu estava indo tão bem…

Freira: Irmã Augustine acredita em coisas que não são reais.
House: Eu achei que isso fosse pré-requisito para vocês.

“Na Houselândia e no resto do universo, quando aparece uma pergunta, ela pede por uma resposta.”

(depois que Cameron explica sua teoria sobre a doença de um paciente) “Você descobriu isso enquanto colocava seus óculos escuros ouvindo uma música do The Who?”

“Somos animais egoístas e desprezíveis rastejando pela terra, e porque temos cérebros… se tentarmos, com muito esforço, ocasionalmente podemos aspirar alguma coisa que não seja puro mal.”

Wilson: Você recarrega seu celular?
House: Eles recarregam? Eu comprava celulares novos quando a bateria acabava!

“Todos mentem. Viver com essas mentiras é o que nos torna felizes.”

“Não ligo para o que eles estão fazendo, contanto que a minha vida não seja interrompida por conversas sem sentido como essa.”

(House no telefone) Não, mãe, hoje não posso…tchau.
Cameron: Era sua mãe?
House: Não. Era a Angelina Jolie, mas eu a chamo de mãe. Fica mais sexy.

Foreman: Acho que você é racista, House.
House: Porque diz isso?
Foreman: A cada dia que passa, você vem me tratando pior.
House: Então pode descartar racismo. Você era da mesma cor na semana passada.

(House “adivinha” o problema de alguém, na clínica pública que tanto detesta)
House: Você acha que vai sair sozinho?
Paciente: Como você…
House (interrompendo): …você está aqui faz meia hora e não se sentou. Isso me diz o local. Você não quer me dizer o que é, por isso deve ser constrangedor. É maior que um cesto de pão? Porque se for pequeno, vai sair rapidinho. Mas se for grande, também vai sair, mas vai acabar rasgando algo, o que indica que acabou a diversão. E algo me diz que seu problema não são hemorróidas - sou médico há 20 anos e, seja o que for, você não vai me surpreender..
Paciente: É um aparelho de MP3.
(House fica surpreso, afinal.)

“A humanidade é supervalorizada.”

(um garoto psicótico que acreditava ver ETs foge)
Chase: House…o Clancy desapareceu.
House: Oh, não! Você olha em Alfa Centauro; o  Foreman, em Tatooine, e a Cameron faz um cerco intergaláctico. Vamos orar para que ele não tenha chegado ao hiperespaço. Nunca o pegariam.

(House abrindo e fechando várias gavetas no necrotério)
Wilson: House, o que você está procurando?
House: Liguei hoje pra casa e mamãe não me atendeu!

(depois de Cameron ter ganhado uma aposta do House)
Cameron: Quero em dinheiro!
House: Você deve dizer isso pra todos.

Paciente: Você não se importa (com o paciente que está seriamente doente)?
House: Alguém morreu. Acontece todos os dias…

(enquanto lava louça com Stacy, cujo marido aparece de repente)
“Não é isso que você está pensando! Parece que estamos lavando louça, mas na verdade estamos apenas fazendo sexo.”

“Eu não sou um gênio, eu sou um gênio insano!”

(durante o tradicional brainstorm de diagnóstico)
Cameron: Que tal sexo?
House: Acho que isso complicaria as coisas. Você sabe, nós trabalhamos juntos.

Paciente: O tempo muda tudo!
House: É o que as pessoas dizem, mas não é verdade. Fazer as coisas é o que muda algo. Não fazer nada, deixa as coisas do mesmo jeito que eram.

Fanático religioso: Você não confia em Deus?
House: Como posso confiar em alguém que fica o tempo todo escondido?

Foreman: Precisamos examinar o cérebro dele?
House: Você pode pedir a ele que pergunte a Deus os resultados do exame…ou pode fazer uma tomografia. Você escolhe, eu estou aberto a qualquer tipo de sugestão.

Fanático: Deus falou que você viria aqui me ver.
House: Esse Deus é um linguarudo!

“Paixão?! É aquele sentimento que faz suas calças ficarem engraçadas?”

House: Algum de vocês já esteve em Galápagos?
Foreman: Nossa paciente já foi pra lá? Dengue, varíola, até mesmo vírus do Nilo ocidental?
House: Não, eu só estou procurando um lugar legal pra passar as férias.
Chase: Então, nós também vamos ter férias?
House: Em que isso iria fazer diferença considerando o seu estado atual? (quase demitido)
Cameron: E o que você vai fazer lá? relaxar?
House: Visitar a família. Meu tio é uma tartaruga gigante!

(na clínica, sendo obrigado contratualmente a atender obviedades) “A maioria de vocês pode ser tratada até por um macaco com um analgésico.”

Cuddy: Eu tenho péssimas notícias para você: ela não te ama.
House: Você fica feia quando está com ciúmes.
Cuddy: Ela apareceu na minha casa noite passada. Deu em cima de mim.
House: Ela é ainda mais perfeita do que eu pensava.
Cuddy: House, ela é doente!
House: Você diz “doente”, eu digo “livre”.
Cuddy: House! A garota faria sexo até com um invertebrado.
House: Que é isso, Cuddy. Você não é tão ruim assim…

“Eu ganho pontos extras se eu agir como se eu me preocupasse?”

Wilson: Ninguém é perfeita para você, House.
House: Madre Teresa, talvez?
Wilson: Morta!
House: Angelina Jolie?
Wilson: Não é médica.
House: Ah, você está sendo muito exigente!

“Ou Deus não existe ou Ele é incrivelmente cruel.”

(após uma cura difícil)
Paciente: Graças a Deus!
House: Não me faça bater em você!

Cuddy: Trabalhar com pessoas faz de você um médico melhor.
House: Quando foi que eu me inscrevi nesse curso?
Cuddy: E quando eu te dei a impressão que eu me importo?
House: Certamente, trabalhar nessa clínica me traz um GRANDE senso de compaixão.

(saindo da clínica lotada, quando Cuddy o chama) “Não, eu não vou fazer sexo com você de novo!”

“Você sabe porque as pessoas são gentis com outras pessoas? Porque as pessoas são boas, decentes e se importam. Ou isso ou as pessoas são covardes. Eu sou mau para você, então seja mau comigo. Destruição MUTUAMENTE garantida.”

Cuddy: Isso é um risco de nível 3!
House: Nível 3? Você chamou o Jack Bauer?

House: Seu filho tem (nome da doença).
Pai do paciente: E o que isso significa?
House: Que ele vai morrer.
Pai do paciente: Pô!!! Qual é o seu problema?
House: Perna manca, e o seu?

“Me importar para que? Pergunte ao paciente se ele prefere uma médico que se importa enquanto ele morre ou um médico que o ignora enquanto ele é curado? Pior é um médico que o ignora enquanto ele morre…”

“Os negros pensam que o hip-hop é uma invenção da CIA para que possam matar-se uns aos outros nos guetos.”

Wilson: Você nunca erra?
House: Nunca. Talvez esse seja meu erro.

Chase: Na escola de medicina eu tinha um velho professor…
House: …que te tocava num lugar estranho?

(ao descobrir que  Chase reconhecera a paciente dominatrix por já ter ido a um clube de sexo selvagem)
“Ah, eu não teria te torturado tanto se soubesse que você gostava!”

“Eu sempre quis ajudar as pessoas. Só virei médico após assistir Patch Adams.”

“Tudo é condicional. Só não podemos prever as condições, mas tudo é condicional.”

“A esperança é o que os faz infelizes.”

Cameron: Ele tem uma doença idiopática. (sem causa definida)
House: IDIOpáticos somos nós, que não descobrimos a causa da doença!

(House entra no centro cirúrgico, e não nota que o paciente é outro.)
House: Não toque no olho dele!
Cirurgião: Esta cirurgia é de apêndice!
House: Como eu disse, não toque no olho dele!

(a uma mãe que se recusa a vacinar seu filho) “Sabe o que seria um bom negócio?? Caixõezinhos de bebezinhos bem pequenininhos. Você poderia comprá-los em verde cor de sapo ou vermelho fogo…”

(House vai aplicar uma vacina, mas a equipe pára à sua frente para impedí-lo)
“Está certo, então, qual o plano? Você agarra o negão enquanto eu pego a mocinha? Aí o branquelo sai correndo?”

Anã que vê House tomando Vicodin: Ei…você está “alto”?
House:
Mais que você, com certeza.

Hannah: Garotos não me podem me abraçar por muito tempo porque eu tenho elevação de temperatura.
House: Ah, é? Pois as garotas não me abraçam por muito tempo porque eu só pago por uma hora.

“Porque Deus sempre leva o crédito quando algo bom acontece?”

House: Refaça os exames de sangue e faça uma nova ressonância, com cortes de 2mm através do mesodiencefálico. E procure por madrastas malvadas, esse excesso de sono geralmente indica maçãs envenenadas.”

“Melhor eu não ver você rezando. Não vou querer brigar pelos créditos dessa vez.”

(para Cameron, que acabara de tingir o cabelo) “Você está loira. Parece uma prostituta. (silêncio) Eu gosto.”

(depois de House “ressuscitar” uma paciente)
House: Tá bom, não vou mais fazer isso.
Foreman: Vai sim.
House: Viu só? Mais um motivo para essa ser uma conversa inútil.

Cuddy: Quantos comprimidos você toma por dia? 80 miligramas?
House: Essa seria uma boa quantidade.
Cuddy: Mas é o dobro do que você tomava quanto eu te contratei.
House: É porque você está duas vezes mais chata.
Cuddy: House, os médicos comentam, os pacientes comentam…
House: Comentam o quê? Como a sua bunda está grande?

House: Vou ter que te dar três motivos bons para eu ter feito isso? (medicar um paciente contra as ordens dela)
Cuddy: Quais?
House: Espera um minuto. Ainda estou pensando neles.
(House diz os tais três motivos, mas Cuddy não dá a mínima)
House: E o quarto motivo…
Cuddy: Não eram só três?
House: É que eu esperava que você acreditasse em algum deles.
Cuddy: Verdade?

(Wilson liga para House)
House: Inspetor Bugiganga.
Wilson: Meu Deus, você realmente está na CIA.
House: Sim, e eles têm um satélite apontado diretamente para a vagina da Cuddy. Disseram que a chance de invasão é praticamente nenhuma, mas…

(anunciando uma gravidez) “Tem um parasita dentro de você.”

Chase: Mas… Não seria melhor falar primeiro com a paciente?
House: Por quê, ela é médica?

Moça no corredor: Ei, você está lendo revistinha!
House: E você está chamando atenção para os seus peitos com esse top. (silêncio) Pensei que era para falar o óbvio, algo assim…

Cuddy: Você me deve 50 paus.
House: E você me deve metade de uma dança erótica.

(removendo a solitária de um paciente)
Foreman: Nossa! Deve ter uns oito metros!
House (desanimado): Droga, o recorde mundial é de 18 metros!

House analisa os defeitos de alguém que seu amigo gosta:
Wilson: Ela tem um defeito chato, talvez dois… Mas se eu fosse perfeito, namoraria a pessoa perfeita.
House: Voce gosta disso!
Wilson: É irritante, mas ela é boa nisso.
House: Espere um segundo…isso não é só sobre o sexo. Você gosta da personalidade dela. Você gosta que ela seja inconveniente. Você gosta que ele não tenha preocupação com as consequências. Você gosta do fato que ela pode humilhar alguém se for preciso…oh, meu Deus! Você deve estar dormindo comigo!

(Kutner perguntando sobre o presente em cima da mesa de House)
Kutner: De quem é isso?
House: Papai Noel (Santa, no original), é claro. Você não sabe que eu o adoro? (pausa) Ah, espere! Não era o demônio (Satan)? Ahhh! Sempre me confundo.

Criança: Você é atrapalhado.
House: Somente um perdedor reconhece outro perdedor, perdedora. (pausa) Espere, isso faz de mim um perdedor. Esqueça o que eu disse.

(com a mesma paciente, explicando para a mãe o que sua filha tinha)
House: Sua filha está dizendo Yoo-Hoo para o Hoo-hoo!
Mãe: Ela o quê?
House: A Marcha dos Pinguins.
Mãe: ???
House: Os Divinos Segredos da Irmandade Yaya.
Mãe: ??
House: Procurando Nemo.
Mãe: Você está dizendo que a minha filha está se masturbando?
House: Eu estava tentando ser discreto, tem um criança aqui!

Paciente: Mas tuberculose é a minha doença!
House: Ah não! Pena que eu perdi a liquidação de dengue!

(toda a equipe para dar uma noticia de diagnóstico)
Cameron: House, temos sangue no reto.
House: Os três?!

(House está operando um bebê dentro da barriga da mãe, sendo que preferia ter feito um aborto para diminuir o risco da grávida. O bebê que House queria matar pega com a mãozinha no dedo dele, e ele fica olhando, em silêncio. Cuddy, que quis a cirurgia, sorri emocionada e observa:)
Cuddy: House, House…
(pausa)
House: Desculpe…acabei de lembrar que esqueci de gravar Aliens.

E, para finalizar, as clássicas:

“Todo mundo mente.”

“Não é lúpus. Nunca é lúpus.”

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Flash Backward

Estoy a oír: J-Wave #1 - Adaptações de mangás em live-action

Quando foram anunciadas as séries que estreariam temporada 2009/2010, a ABC surgiu com uma grande candidata a “novo Lost”.

Flash Forward tinha uma premissa intrigante, que começava com um mistério global, e feras como David Goyer (um dos responsáveis pela recriação da Sociedade da Justiça) nos roteiros, parecia que já tínhamos encontrado o próximo blockbuster da TV americana. Tanto que a série teve uma temporada completa encomendada antes mesmo da exibição do piloto.

Só que a própria Flash Forward cuidou de dirimir essa impressão. O piloto fez muita gente coçar a cabeça (de onde em nome de Zarquon saiu aquele canguru?), mas os episódios seguintes despencaram vertiginosamente. Os personagens se revelaram rasos e superficiais, o mistério central revelou-se a única coisa (não tão) interessante da história, e após poucos episódios já tivemos a abertura do grande livro de clichês das séries: casal lésbico, político poderoso sendo chantageado para ajudar os protagonistas, assassinatos enigmáticos, longos diálogos com frases de efeito que não levam a lugar nenhum…tão rápido quanto ganhou audiência, a série começou a perdê-los. Um milhão de pessoas desistiam de acompanhar a história a cada semana, e os elogios de expectativa logo viraram críticas de frustração.

Entre os muitos que desistiram da série, estou eu. Aguentei cinco episódios, e ia começar a ver o sexto quando notei que estava mais animado para reouvir um Nerdcast lançado há três anos do que para assistir um novo episódio. Era o sinal de que eu precisava para ganhar quarenta minutos livres na agenda de cada semana. (Que, vale avisar, já foram devidamente ocupados com a nova temporada de Scrubs.)

Conclusão: o novo Lost acabou virando o novo Heroes. Com o agravante de que Heroes foi bom por quase uma temporada inteira. Coitada da AXN brasileira, que começou 2009 ouro nas mãos e começará 2010 com um tremendo mico.

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Hype as fast as you can

Estoy a oír: Joan Jett and the Blackhearts - I Hate Myself For Loving You

Eu lembro de quando os hypes duravam pelo menos alguns meses. De como todos na minha escola exibiam orgulhosos seus ioiôs da Coca-Cola, suas fitas cassete dos Mamonas Assassinas e, tão logo ter Internet em casa deixou de ser coisa de filme de ficção científica, trocavam mensagens via ZipMail e comparavam pontuações no Fulano. Os anos passaram, muitos hypes vieram e se foram…e, vejam vocês, cada vez mais rápido.

Pensei nisso enquanto minha timeline do Twitter ficava entupida de mensagens divulgando perfis num site chamado Formspring - uma ferramenta que permite que qualquer pessoa receba e responda perguntas ao melhor estilo talk show. (Esta explicação rápida é só pro caso do hype já ter passado enquanto você estiver lendo isso.) O site foi descoberto por sabe-se lá quem, e antes que conseguíssemos dizer “abacate” centenas de internautas brasileiros já faziam e respondiam perguntas…a ponto de derrubarem o servidor que hospeda o site.

Mas vejam vocês como as coisas acontecem rápido na realidade 2.0. Uma semana se passou desde a descoberta do Formspring, e quase todo mundo já parece meio de saco cheio do site. O predomínio de questões indecentes afastou principalmente o público feminino, e os convites para enviar perguntas já são mais numerosos do que estas. E já começaram os “formspringcídios”, com gente buscando formas de excluir seus perfis.

Provavelmente o Formspring será lembrado da mesma forma que o Blip.FM (lembra dele? É, achei que não) :um site que, ainda que divertido e útil à primeira vista, não conseguiu manter o interesse geral a longo prazo. Como o novo Orkut, que fez todos voltarmos a 2004 e pedirmos convites a quem quisesse ouvir…para descobrirmos que ele não era nada disso. Talvez nesta frase eu tenha explicado o segredo dos hypes.

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Dimensão Nerd, o melhor podcast de notícias do Brasil

Estoy a oír: Dimensão Nerd #66 - Suportes Zerados Seguidores do Tranca-Rua

(Eu sei, não é a vitrine do programa do Estoy a oír. Mas o #54 é antológico por vários motivos, então resolvi reproduzir a imagem.)

Nada como chegar em casa recebendo boas notícias. Depois de um looongo dia de trabalho, o Leo Lopes me lembrou que hoje era o dia do anúncio dos vencedores do Prêmio Podcast 2009.

Perdi a entrega ao vivo, mas logo corri atrás da lista dos vencedores. Corri a lista com os olhos até chegar às categorias escolhidas pelo júri, e vocês podem imaginar minha alegria e surpresa ao ver a seguinte linha em meio aos vencedores:

Notícias - Ganhador: Dimensão Nerd

Sem brincadeira, saí correndo e gritando pela casa. Ganhamos! Woohoo! É campeão!

Aproveito para dar os parabéns aos amigos do NowLoading (games, júri e público), Radiofobia (humor, voto do júri) e Spin-Off (cinema e TV, voto do júri), que também venceram nas suas respectivas categorias. E esse prêmio é só o começo! Aguardem as novidades do DN para 2010!

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O teste Hendricks

Estoy a oír: Now Loading - Round #52: Moonwalking on Games

Achei meio sem querer este artigo, em que uma discussão entre amigos faz surgir uma teoria no mínimo interessante: Christina Hendricks é o teste de heterossexualidade perfeito. Afinal, ela é ruiva, linda, gostosa (sim, existe uma diferença. Eu vou discorrer mais sobre isso, mas não agora) e tem uma voz hipnoticamente suave - atributos que, somados, a tornam praticamente irresistível.

Haveria apenas um tipo de homem imune aos encantos da bela Christina: os gays. Nem mesmo as mulheres heterossexuais escapam, já que a maioria delas é suficientemente segura de si para dizer sem meias palavras que acham uma garota bonita - razão pela qual, aliás, o teste não funciona com elas. (Nem vou discutir a inocuidade do teste em lésbicas por razões óbvias.)

Farei então uma pergunta à ala masculina de justiceiros. Olhando para a foto ao lado, responda apenas uma pergunta: você passaria no teste Hendricks? Aguardo seus comentários.

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Pitacos da Copa

Estoy a oír: Weezer - The Greatest Man That Ever Lived (Variations on a Shaker Hymn)

Na última sexta-feira, foram sorteados os grupos da Copa do Mundo 2010. Você provavelmente já viu a listagem em 680 outros sites - mas nenhum deles tinha meus espetaculares pitacos para a primeira fase! Em itálico, as seleções que acredito serem as que alcançarão os mata-matas.

GRUPO A: África do Sul, México, Uruguai e França

GRUPO B: Argentina, Nigéria, Coréia do Sul, Grécia

GRUPO C: Inglaterra, EUA, Argélia, Eslovênia

GRUPO D: Alemanha, Austrália, Sérvia, Gana

GRUPO E: Holanda, Dinamarca, Japão, Camarões

GRUPO F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia, Eslováquia

GRUPO G: Brasil, Coreia do Norte, Costa do Marfim, Portugal

GRUPO H: Espanha, Suíça, Honduras, Chile

Eu sempre erro tenebrosamente em bolões (como outras postagens mais antigas comprovam), então convém ficar de olho em quantos classificados eu acerto. Vai que nessas eu acabo zicando a “Seleção” sem querer…

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Tanya

Estoy a oír: Autoramas - I Saw You Saying

Dizem que a melhor parte da viagem é voltar para casa.

Claro, quem disse isso nunca desembarcou em Cumbica às sete da manhã.

A combinação de uma noite mal dormida a bordo com mais de uma hora na fila da imigração não contribui em nada para o meu bom humor, mas felizmente consigo compensar ouvindo Frank Zappa cantar uma letra hilariamente obscena. Dezenas de pessoas caminham apressadas na mesma direção, ansiosas para pegar suas malas e deixar os últimos dólares no free shop. Nenhuma delas parece reparar em mim, assim como nenhuma delas prende minha atenção.

Bem…uma delas chama. Procurando em vão por um oficial de imigração que fale um mínimo de inglês, uma linda loira de um metro e sessenta chora copiosamente enquanto é mandada de um guichê para outro, explicando sua situação aos soluços.

Pauso o velho Frank e diminuo a velocidade dos meus passos até a loira, à espera de um momento para perguntar o que posso fazer por ela. Só quando ela se vira na minha direção, finalmente noto seus belos olhos azul-esverdeados - avermelhados pelas lágrimas, lembram o mar depois de um ataque de tubarões.

- Excuse me - ela se antecipa a mim, falando com sotaque de Nova York. Fico meio embasbacado enquanto ela pergunta se também falo inglês, e respondo com um of course carregado pelos meus cinco anos de CNA e dez de CSI.

Desconsolada, ela me pede para ajudá-la. Explica que acaba de perder o voo para Porto Alegre, completando um total de seis no-shows em dois dias - por alguma razão,a companhia aérea resolveu levá-la de NY a Buenos Aires numa louca cadeia de conexões, e a lei de Murphy encarregou-se de colocá-la num dominó de atrasos. Ela não sabe o que fazer ou para onde ir, could you help me?

Claro que posso. Ela não tem bagaem, minha única mala é a primeira a aparecer quando andamos até a esteira, e enquanto passamos pela alfândega ela ainda está nervosa, contando os périplos dos últimos dias de viagem.

Faço menção de oferecer-lhe um lenço, mas noto que usei no desembarque o último do refil que comprei ainda em Londres. Maldita rinite, penso enquanto ela caminha ao meu lado. Penso em abraçá-la e oferecer meu ombro, mas logo desisto da ideia ao lembrar que sou pouco mais do que um estranho bem-intencionado para ela. Melhor não deixá-la ainda mais nervosa, concluo, e sério mesmo que a única farmácia desse lugar fica no terceiro piso da área aberta?

Tento tranquilizá-la repetindo cada etapa do tortuoso caminho pelo qual irei acompanhá-la, como um Virgílio guiando Beatriz ao invés de Dante: check-in, emissão de um novo bilhete e uma quase inevitável espera de algumas horas até o novo embarque. Explicamos a situação no balcão da companhia comigo falando por ela na maior parte do tempo, e as lágrimas logo param.

- (snif) Obrigada. (snif) Você não vai perder seu voo ou coisa assim, não é?
- Não precisa se preocupar - respondo, confiante. - Eu moro aqui em São Paulo mesmo.
- Mas não tem ninguém te esperando? Família, namorada…
- Só um gato, que provavelmente já encheu a caixa de areia até a tampa. Mas ele sabe se cuidar - sorrio ao terminar a frase, e ela sorri também, meio encabulada.  Seu rosto lentamente volta a cor normal, me fazendo perceber que ela é ainda mais bonita do que pareceu à primeira vista. - Você tem um sorriso lindo, sabia?

Ela inclina a cabeça e sorri sem jeito, enquanto repete vários thank you. Seu rosto volta a ficar vermelho, mas desta vez isso passa longe de ser um problema.

- Bem…agora é só esperar. O seu voo só sai às duas da tarde. Enquanto isso, posso te pagar um café ou coisa assim?

Sinto uma hesitação antes da resposta, o que é comumente reconhecido em várias culturas como uma negativa.

- Olha, se você não quiser…
- É só que…você tá me ajudando há um tempão e eu nem disse meu nome. Eu sou a Tanya.
- Prazer, Tiago - lembrando que o único país do Hemisfério Norte em que meu nome é comum é Portugal, decido poupá-la até mesmo do delicioso sofrimento de aprender a pronunciar “Tiago” - Meus amigos me chamam de Max.
- Eu adoraria - ela diz sorrindo, e joga seu braço em torno do meu ombro. Engraçado que eu passei tanto tempo pensando se devia ou não abraçá-la enquanto ela estava chorando que, quando finalmente acontece, demoro pra notar.

Sentamos e tomamos nossos cafés, mas nenhum de nós se preocupa em levantar da mesa. Continuamos conversando, a princípio sobre banalidades, mas nos aprofundamos em nossas vidas particulares, falando mal dos respectivos chefes e tudo o mais, sem perceber o tempo passando.

- Opa…olha só que horas são. É melhor já irmos pro embarque.

Estendo a mão para ajudá-la a levantar e caminhamos juntos, abraçados, até o corredor de embarques domésticos,quando uma funcionária mal-encarada força nossa separação. Solto-a sem dizer nada, mas minha expressão facial deixa claro que eu a seguraria para sempre se pudesse. Ela também ficaria, já que assim que a solto ela rapidamente puxa a caneta do bolso da minha camisa e escreve alguma coisa na minha mão.

- Meu Facebook. Me adiciona - e, quando eu já previa um futuro de conversas cada vez mais curtas pelo Skype, ela puxa minha cabeça para perto de si e me beija. Comigo ainda sentindo o sabor de seus lábios, ela parte, olhando para trás com um sorriso…e eu faço a viagem de volta pra casa flutuando, como sem acreditar no que havia acontecido.

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