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Pérolas de sabedoria da mestra Lorelai Gilmore

Estoy a oír: Cage the Elephant – Psycho Killer

Lorelai Gilmore

Podem me zoar à vontade, mas eu adoro Gilmore Girls.

Eu sei, eu sei, a série é a típica novelinha, mas é tão divertida e bem escrita que passei várias madrugadas acordado assisitindo as peripécias de Lorelai e Rory Gilmore. (Tudo culpa da mania do SBT de jogar seriados nos horários mais esdrúxulos possíveis.)

Sempre me diverti especialmente com Lorelai, a verborrágica mãe solteira que muitas vezes parecia filha da própria filha. Em homenagem à personagem brilhantemente interpretada por Lauren Graham, ficamos agora com algumas das melhores frases desta grande filósofa da TV mundial.

“Os cavalos me escutaram. Eu falo cavalês. Sou a dra. Dolittle.”

“Você não só foi para uma festa que acabou com a polícia tendo que intervir, como você foi o motivo pelo qual a polícia foi chamada? Filha, você é minha heroína!”

“A realidade não tem lugar em Stars Hollow.”

“Acho que esqueci tudo que eu sempre soube. (agarra o braço de Rory) Garota, qual é o seu nome?”

Lorelai: Meu salto quebrou! Eu preciso que você conserte!
Luke: Eu tenho cara de sapateiro?!
Lorelai: Se eu disser que sim, você conserta meu salto?
Luke (respira fundo, admitindo a derrota): Acho que eu tenho um tubo de cola no restaurante.
Lorelai: Isso mesmo, cola – eu adoro cola!
Luke: Se eu fosse você, não diria isso em voz alta.

“Eu quero um hambúrguer, uma porção de anéis de cebola e uma lista de gente que matou os pais e saiu impune. Estou em busca de heróis.”

“Lorelai Gilmore, desapontando mães desde 1968.”

Rory: Você está dizendo que alguém entrou aqui em casa, passou direto pela TV, pelo som e pelas jóias, foi direto até a caixa onde você guarda o dinheiro, pegou US$ 18 e deixou o resto?
Lorelai: Vai ver, não era um ladrão ganancioso.

Rory: A vovó só estava tentando ajudar.
Lorelai: Filha, você ainda acredita em Papai Noel?

“Depois deste jantar, eu não vou comer por um ano. Ou até amanhã de manhã, o que vier primeiro.”

“Isso vai contra todas as regras do Guia Gilmore de Sobrevivência. Regra 1: não correr com tesouras. Regra 2: não cortar o cabelo como um garoto. Regra 3: não almoçar sozinha com a minha mãe.”

Michel: Você tem que ser paciente, e esperar pelo que surgirá a seguir.
Lorelai: Isso vale para leilões e bares de solteiros.

“Levou 200 anos, mas finalmente alguém em Chilton conseguiu fazer uma piada boa!”

(Para uma enfermeira no hospital, enquanto espera Rory ser atendida) “Lembra daquela cena de Laços de Ternura em que Shirley MacLaine surta no hospital porque não querem dar uma injeção na filha dela? Shirley aprendeu aquilo comigo, e no filme ela pegou leve!”

Luke: Preciso te dize ruma coisa. Acha que a Rory está nos ouvindo?
Lorelai: Através das paredes?… Nah, eu coloquei kryptonita nos waffles dela. Pode ficar tranquilo.

“Dean, temos uma aranha aqui. Se for cuidar dela, não deixe que a família dela o veja. Aranhas são muito vingativas. E acho que essa tinha uma arma.”

(olhando para a bagunça no apartamento de Luke) “Sabe, é assim que eu acho que é o interior da minha cabeça.”

“Sookie, seu namorado é um fazendeiro. Se ele me matar, nunca vão achar o corpo, mas todos vão lembrar de como as abobrinhas estavam ótimas este ano.”

“Esta é uma área descontaminada. Eu até limpei a mesa com mais do que saliva e a manga da minha blusa!”

Emily: Por que você está arremessando facas em público?
Lorelai: Hã…porque me senti ridícula fazendo isso em casa?

“Eles vieram pra cima de mim como se fossem nazistas e eu fosse a Polônia!”

“As pessoas não percebem que comer como a gente exige anos de prática.”

Rory: Você está mentindo.
Lorelai: Não, eu estou sendo misteriosa. É isso que as mulheres fazem!

“Eu odeio cedo. Cedo deve morrer!”

“Foi um ótimo beijo. Se um de nós fosse um sapo, teríamos sérias consequências.”

“Contanto que tudo esteja exatamente como eu quero, sou totalmente flexível.”

Lorelai: Tem, tipo, 50 mesas livres aqui.
Rory: Você tá exagerando.
Lorelai (apontando para as mesas): Uma, duas, três, quatro, cinquenta! Não estou!

“Eu ainda não acredito que sou parente de Deus. Isso vai tornar tão mais fácil conseguir ingressos pro show da Madonna.”

“Não estou me sentindo tão bem, minha perna está assombrada.”

Rory (chegando tarde em casa): Mãe?
Lorelai: Shhh…a cadeira está tentando dormir.

“Quando minha filha chega chateada em casa, eu passo a odiar a pessoa que a deixou chateada. É assim que funciona. Jess foi embora, e eu vou odiá-lo pra sempre!”

“Vozes dentro da cabeça são uma coisa normal, certo? Eu ouço apenas duas… que falam inglês.”

Luke: Esta é a sua sexta xícara de café. Que tal tomar um chá para variar?
Lorelai: Ótima ideia. Pode misturar no café.

“Meu cérebro é uma floresta selvagem cheia de tagarelice assustadora.”

“Bem-vindo ao primeiro – e provavelmente único, já que a Sookie está quase tendo um treco – jantar de Bracebridge!”

Rory: Pode guardar um segredo?

Lorelai: Nunca consegui, mas dizem que há uma primeira vez para tudo.

“Bebida alcoólica é o leite com biscoitos dos adultos.”

“Vocês não vão ter problemas com a Rory. Ela não exige muitos cuidados… é como um Honda.”

Lorelai: Eu sinto falta do Max… até sonhei com ele umas noites atrás.
Rory: Sério? Foi um sonho picante?
Lorelai: Claro que não! E quando você fizer 21 anos, eu te conto a verdade.

“É a última vez que eu compro algo só porque é peludo!”

A ascensão de São Marcos

Estoy a oír: Leonard Nimoy – The Ballad of Bilgo Baggins

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Eis que chegou o temido mas inevitável momento em que o santo disse “chegou minha hora”.

O santo passou a vida inteira defendendo a baliza alviverde, e começou sua carreira de milagreiro numa situação improvável. De terceiro goleiro, foi direto para o time titular às vésperas do mais importante Palmeiras x Corinthians na história dos dois clubes.

Foram dois jogos tensos, e as defesas que o santo fez neles e além fizeram dele responsável direto por pintar a América de verde – a maior conquista da história do Palmeiras. E, se não conseguiu repetir o feito, o santo fez seus milagres também nas duas brilhantes campanhas seguintes. Um deles, em particular, é lembrado por palmeirenses e chorado por corintianos até hoje.

Assim o santo tornou-se ídolo mesmo daqueles que rivalizavam com os vestidos de verde. Tornou-se padroeiro de duas nações, já que seus feitos logo o levaram à seleção brasileira. E essa divisão entre duas camisas levaria o santo a viver no mesmo ano sua maior glória e sua maior provação: campeão mundial com a Seleção Brasileira, voltou ao seu amado Palmeiras para ver o clube ser rebaixado no Campeonato Brasileiro.

Muitos pediriam para sair – ainda mais valorizados por um título mundial, como o santo estava. Fariam como boa parte do elenco da Juventus de Turim, que exigiu ser negociado quando um escândalo de arbitragem relegou o time à divisão inferior.

Mas o santo decidiu ficar. Por amor ao manto palestrino – amor como parecia não ser mais possível existir nestes dias de futebol tornado negócio – fez questão de liderar um time de garotos na condução do clube de volta ao seu lugar de direito, e seguiu por anos a fio em seu lugar debaixo das traves nos (raros) bons e maus momentos.

Não pensem, porém, que o santo era cego para o que acontecia ao seu redor. Pelo contrário: com sinceridade rara entre os seus, falava tudo o que realmente acontecia dentro e fora do campo. Ao contrário da maioria, o santo nunca fez média com torcedores ou colegas de equipe. Nunca quis, e nunca precisou.

Só que mesmo o santo, por mais difícil que seja acreditar nisso, é humano. Sofreu com seguidas contusões que o impediram de fazer seus milagres em base regular, e vendo nascer uma nova geração de arqueiros decidiu que era o momento de parar.

Que lhe sejam feitas todas as homenagens de direito, do jogo de despedida que falta à maioria dos nossos astros a um busto no Palestra Itália. O santo merece.

Obrigado por tudo, São Marcos.

A Pedra do Sapato (Deborah Pimenta)

Estoy a oír: Crush 40 – Escape from the City (trilha sonora do game Sonic Adventure 2)

Photobucket(clique na imagem para comprar)

Droga, Deka, você não é o Johnny Cage mas faz isso parecer fácil.

Já faz pelo menos um mês que estou lutando com a missão de escrever uma resenha de A Pedra do Sapato, sua estreia no mundo das letras…sem conseguir sequer pensar em como começar.

Eu poderia ser sucinto. Dizer que atravessei o livro inteiro pensando “vou ler só mais um conto” e cheguei ao final das 130 páginas sem nem perceber. E terminei querendo mais, vontade que os textos do seu blog fizeram pouco além de anestesiar. Neste aspecto você me fez lembrar de Luis Fernando Veríssimo, meu grande ídolo literário e inspiração maior.

Também evoca o velho LFV o modo como você consegue captar a beleza de momentos à primeira vista banais, como um momento romântico de um casal saindo do banho. Isso para não falar na comédia involuntária da sua viagem para BH com uma caixa de bolinhos, ou do seu sofrimento para alcançar um livro na prateleira mais alta da sua livraria favorita.

Mas como dizer qualquer coisa além disso sem soar como uma profissão de loas? Como descrever a sensação de tapa na cara que você provoca ao usar personagens como moradores de rua e mulheres que apanham do marido para mostrar aspectos da sociedade e das pessoas que muitas vezes simplesmente decidimos não ver? Como você mesma me disse uma vez, seus textos incomodam. Mas é um incômodo do qual muitas vezes precisamos.

2011 – awesome year was awesome

Estoy a oír: Joey Ramone – What a Wonderful World


Rapaz, 2011 vai deixar saudade.

Este foi um ano no mínimo tumultuado com relação à minha vida pessoal, mas nem vale a pena me estender falando nisso. (Basicamente problemas de emprego e família, daqueles que todo mundo tem. Coisas da vida, diria Kurt Vonnegut.)

O fato é que neste ano aconteceu uma incrível quantidade de coisas sensacionais na minha vida. Afinal, não é sempre que você conhece o Rio de Janeiro e as praias de Santa Catarina, vê o maior compositor do mundo tocando ao vivo, realiza um sonho musical de adolescência, comemora um título de Libertadores… Além, é claro, das pessoas sensacionais que eu conheci neste ano – sem falar nos amigos sempre presentes, que certamente ajudaram a tornar este ano tão épico e um dos principais motivos pelos quais 2011 com o prospecto de várias coisas boas para seu sucessor.

É claro que aconteceram neste ano várias coisas que eu gostaria de esquecer – mas, colocando tudo em perspectiva, elas parecem muito pequenas. E, se nem o mais persistente dos percalços conseguiu me derrubar no ano que passou, eu sinceramente não vejo razões para desanimar. Na verdade, isso só me anima a superar as adversidades.

Dito isso, desejo a todos os amigos e leitores um 2012 épico. Além de todas aquelas palavras belamente vagas que suas tias sempre dizem quando vêm pra ceia, desejo sinceramente que todos os seus planos deem certo – mas também desejo que o ano seja repleto de imprevistos bem-vindos. E que até mesmo as coisas ruins sirvam para algo positivo, no fim das contas.

Até 2012, justiceiros – e obrigado pelos peixes!

Bom mesmo era o Barcelona do Messi

Estoy a oír: Weezer & Hayley Williams – Rainbow Connection


Não foi desta vez que a lendária camisa alvinegra ganhou sua terceira estrela – no entanto, não escrevo estas linhas irritado, embora tenha que admitir que esperava mais do Santos.

Mas não faz sentido criticar um time campeão da Libertadores, pelo amor de Zappa. Uma noite ruim não pode servir de parâmetro para julgar um ano de trabalho – ainda mais num time com dois jovens como Ganso e Neymar, que estão apenas suas carreiras de inegável sucesso. Ambos ainda conquistarão muitos títulos e darão muita alegria ao Santos. Falemos então dos vencedores.

Tem sido lugar comum nos últimos anos chamar o Barcelona de “fenômeno”, “time de outro mundo”, “novo Santos de Pelé”. As constantes vitórias contra praticamente todos os principais times do mundo fazem com que questionar , mas o que faz dos catalães esta potência?

O Barcelona é o que é principalmente devido não a seus jogadores, mas ao seu esquema de “futebol total” – só que este estilo de jogo só funciona tão bem por causa dos jogadores à disposição de Josep Guardiola. Afinal, é óbvio que ter Messi, Xavi e Iniesta torna muito mais fácil implantar qualquer esquema. Se o Barcelona é quase um time dos anos 60 jogando nos dias de hoje, é devido à soma de todos esses fatores. Como eu bem lembrei meses atrás, ainda não surgiu quem ganhe do Barça…e claro que este time não será invencível para sempre. Mais uma razão para aproveitarmos cada um dos seus espetáculos em campo.

PS: peço desculpas aos justiceiros por só conseguir escrever sobre o Mundial quase uma semana depois da última partida. Foi menos por vergonha da derrota e mais por pura e simples falta de tempo – estou preparando os especiais de férias da Kombo e outros projetos.

The Ultimate Walking Dead

Estoy a oír: Pearl Jam – World Wide Suicide

The Walking Dead
Eu juro que tentei dar uma segunda chance à série com o começo da nova temporada, mas venho por meio desta comunicar que desisti de The Walking Dead.

Como fã da HQ que deu origem à série, não me arrependo desta decisão – aliás, alguns spoilers que me foram contados por amigos só me deixaram mais convicto de que foi a coisa certa a fazer.

O que me levou a isso? Basicamente, o desrespeito da AMC para com a série e da série para com o seu material de origem. Simplesmente não consigo entender como o canal, ao invés de investir em sua atração de maior audiência, promoveu seguidos cortes de orçamento e demitiu o showrunner Frank Darabont. OK, Mad Men e Breaking Bad trazem caminhões de prêmios para casa, mas os zumbis garantem público e patrocinadores. Um pouco mais de carinho com o seriado não seria nenhum sacrifício por parte do canal.

O principal motivo que tirou The Walking Dead da minha lista de downloads de programação, porém, foi ver que os quadrinhos tornaram-se apenas uma vaga fonte de inspiração. Parece que o medo de uma transcrição literal foi tão forte que os roteiristas resolveram simplesmente mudar tudo – e erraram na medida.

Parte da culpa por isso é do cara que teve a idéia. Como Douglas Adams fez com o Guia do Mochileiro das Galáxias, Robert Kirkman já admitiu que está aproveitando a nova mídia para fazer experimentações com a história. Desta forma, muitos dos roteiros da TV apresentam possibilidades que por algum motivo o autor não pôde explorar nos quadrinhos. O problema é que, enquanto o velho DNA mantinha o núcleo de suas histórias praticamente intacto, muito do que transformou TWD em fenômeno cultural está se perdendo na transição entre veículos.

Exemplos disso não faltam. Uma coisa particularmente incômoda para mim foi ver que Shane não morreu logo no começo da história. Por mais que o triângulo amoroso com Lori e Rick e o papel de “anti-Rick” exercido por ele ofereçam possibilidades para a história (tanto que vários personagens ao longo da série foram criados com esta mesma função), a sua morte ao final do primeiro arco da HQ foi decisiva para estabelecer a regra de “ninguém está seguro” que norteia toda a história. Resultado: temos um personagem fazendo hora extra na série. Será que faltou coragem à emissora de mostrar a cena da forma como ela acontece nos quadrinhos?

Outra mudança importante é no papel do protagonista. Na HQ a necessidade e a autoridade de policial transformam Rick em líder relutante dos sobreviventes, mas na televisão ele não consegue se impor mesmo provando que manja das putarias. OK, Tyreese e Michonne (que bem poderiam já ter aparecido no seriado) são fodões num nível “semi-Batman”, mas sempre fica bem claro que é Rick quem dá as ordens no grupo. Já o Rick da TV, além de não ter nem 1% desse respeito, é sempre o último a saber das coisas…

Finalmente, o momento que acabou com muito da minha fé na série: a infame cena do CDC, que acabou com toda a ambigüidade da história ao entregar várias explicações sobre a origem dos mortos-vivos de mão beijada (coisa que Kirkman sempre deixou claro que nunca faria na HQ) e estabelecer que “zumbi não é gente, pode atirar na cabeça”. Com esta simples frase, metade do impacto emocional do futuro arco da fazenda foi pelo ralo.

Mas paciência. Se as mudanças vêm para tornar a história mais rica, elas são sempre bem-vindas. Só que começou a segunda temporada e… um episódio de estreia arrastado, que se distanciou ainda mais do que eu esperava da série e era o prenúncio de uma temporada arrastada. Depois de passar o intervalo entre temporadas pesando se valia a pena continuar acompanhando a série, decidi que não valia. Simples assim.

Todas essas alterações me lembram o que aconteceu com o selo Ultimate, da Marvel. No início, as divergências com relação ao material-fonte eram justificadas como modernizações e transposições de mídia – até que a adaptação ficou mais e mais diferente do original, com modificações sendo feitas simplesmente pelo choque que causariam. Poderíamos até dizer que o seriado que a Fox dubla em tempo recorde parta exibição no Brasil é uma espécie de “Ultimate The Walking Dead”.

Só que mudanças inofensivas a curto prazo travam o andamento da história. Hoje o universo Ultimate sobrevive meio que por teimosia da Marvel, com vários títulos profundamente reformulados e soluções criativas que sequer se preocupam em disfarçar seu status de gambiarras. Temo que o mesmo aconteça com The Walking Dead, que parece estar se mantendo viva apenas pelo hype entre os fãs. Resta ver por quanto tempo esse hype irá se manter.

It only does everything

Estoy a oír: Nick Cave and the Bad Seeds – ­In the Ghetto

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Há cerca de um mês, resolvi dar um presente de desaniversário a mim mesmo e comprei um Playstation 3.

Escolhi o sistema da Sony por uma série de motivos, o primeiro dos quais a comodidade. Para começar, os controles do meu antigo Playstation 2 exigem apenas um adaptador para ser usados no novo console – e eu já tinha o tal adaptador, que comprei para usar no desktop. Ainda nessa de aproveitar equipamento, descobri que o fone Bluetooth do meu celular também é reconhecido pelo console. E v ale lembrar que, caso eu queira fazer um upgrade, o HD do Playstation 3 pode ser substituído por um simples disco rígido SATA para notebook com a capacidade desejada.

O fato do PS3 ser o único videogame da atual geração que também serve como tocador de BluRay contou muitos pontos para a decisão, mas os pontos fracos dos concorrentes também pesaram. O Wii, por exemplo, é um videogame “de galera”, indicado pra quem sempre joga em grupo; não é o meu caso, e quase nenhum dos títulos que eu gostaria de jogar ganhou boa versão para o console da Nintendo. Ainda que eu não me considere um gamer hardcore, certamente fico acima do perfil casual que a empresa do Mario arrebatou.

Já o Xbox 360 concorre diretamente com o PS3 e é mais barato que ele. Por que não comprei um, então? Costumo brincar que o fato do sistema ser fabricado pela Microsoft pesou contra, mas com a drástica redução de problemas como as famigeradas três luzes vermelhas o 360 tornou-se uma opção um pouco mais viável. Desisti do console por coisas como o controle problemático para jogos de luta (meu gênero favorito) e a necessidade de pagar para jogar online, para não falar na necessidade de acessórios específicos.

Prós e contras de todas as plataformas levados em consideração, encontrei uma oferta perto de casa e comprei o PS3. Passei as primeiras semanas vivendo de demos e do Street Fighter III obtido via PSN, mas hoje posso dizer que estou satisfeito com o console. Claro que há problemas, como as maledettas atualizações de software, mas em matéria de facilidade de uso e jogos disponíveis não tenho do que reclamar. E recomendo a compra a qualquer pessoa que esteja em dúvida, independente do seu perfil de jogador.

PS: aos justiceiros interessados em jogar online, meu usuário na PSN é madmaxandrade. Peço que, ao adicionar, deixem mensagem avisando que são leitores do blog.

Pearl Jam – São Paulo, 3 de novembro de 2011

Estoy a oír: Pearl Jam – Jeremy

Pearl Jam (Morumbi, 03/11/11)
(foto: Alexandre S. Dias)

Todo fã do Pearl Jam esperava pelo retorno da banda às terras brasileiras, mas eu posso dizer que estava um pouco mais ansioso do que a média.

Isso porque perdi os shows de 2005 devido a um problema de família, que logo revelou-se não tão problemático assim. Some-se a isso a promessa de retorno feita por Eddie Vedder ainda no palco, e digamos que o anúncio da vinda da banda revelou-se a chance de pagar uma dívida com a minha versão seis anos mais jovem.

Saindo do Morumbi na noite de 3 de novembro, não consegui parar de pensar que a dívida foi paga com sobras. Ainda na primeira música do show foi possível perceber que eu estava diante de um grupo diferenciado, que soube se manter atual e relevante mesmo tanto tempo depois do furacão grunge. Havia o sentimento de nostalgia de “minha banda favorita quando era adolescente”, claro, mas mesmo faixas mais recentes como Olé e World Wide Suicide mostraram-se capazes de animar o público.

E, como a banda não segue um setlist constante ao longo da turnê, a cada show cria-se a expectativa de saber quais dos clássicos serão executados. Alive é a única certeza, mas mesmo sentindo falta desta ou daquela música não dá pra se decepcionar.

Outro ponto de destaque é que, ao contrário dos tapa-buraco tocados pelo Guns’n Roses no Rock in Rio, os covers que Vedder e cia. fazem soam como respeitosas homenagens e resultam em poderosas versões – tanto que I Believe in Miracles, clássico dos Ramones, já se tornou tradição nos shows do grupo. O respeito às influências se reflete até mesmo na escolha da banda de abertura do braço nacional da turnê, o veterano grupo punk X (cuja vocalista lembra, pelo menos na aparência, uma versão porralouca de Susan Boyle).

Mas a principal razão pela qual os shows do Pearl Jam são tão sensacionais é poder confirmar que eles realmente são ainda melhores ao vivo. Mike McCready e Stone Gossard são dois dos maiores guitarristas em atividade no mundo do rock, Matt Cameron chama a atenção mesmo na parte de trás do palco e Eddie Vedder…

Bem, Eddie Vedder é um capítulo à parte. O exato oposto do estereotipado astro de rock maluco, ele se diverte tanto quanto o público, faz questão de falar em português com a plateia e ainda curte uma praia no Rio sem se importar com paparazzi. Some-se tudo isso, e o resultado é o melhor show que passou pela capital paulista neste ano. Não menos que isso.

A vida pós-Jobs

Estoy a oír: Stone Temple Pilots – Big Bang Baby

Steve Jobs
Por uma dessas coincidências que alguns poderiam tomar por previsão, a última edição da Superinteressante traz um artigo explicando porque Steve Jobs, o principal responsável pelo surgimento e ascensão do movimento nerd, foi o grande responsável pela morte deste movimento.

Isso porque as últimas criações da Apple, como o iPhone e o iPad, simplificaram a tecnologia a ponto de tornar desnecessário saber informática avançada. Hoje em dia, muitos usuários não sabem sequer qual modelo de processador seu computador usa, e não hesitam em substituir toda a máquina em caso de pane – influência da política anti-upgrade dos equipamentos com iOS e dos mais recentes Macs.

Pois bem. Diante do recente falecimento de Jobs, muito se falou sobre seu papel na indústria da tecnologia; se o do gênio visionário que criou a imagem de seu tempo ou do perfeccionista irascível que demitia funcionários no elevador. Essa discussão perdurará por muitos anos, mas eu não consigo deixar de pensar no quanto o final da revolução nerd iniciada por Jobs é semelhante ao plano do Síndrome, o vilão de Os Incríveis.

Se você não lembra ou não viu o filme, vamos a um esclarecimento rápido: diante de uma sociedade que renegou os super-heróis, Síndrome queria dar poderes a toda a população mundial. Afinal, a massificação do poder inevitavelmente causaria o fim da discriminação – ou, nas palavras dele, “quando todos forem super, ninguém será super”.

Difícil deixar de associar a revolução de Jobs ao filme. Afinal, agora que praticamente todo mundo é nerd (afinal, filmes de super-heróis são a nova menina dos olhos de Hollywood), ninguém mais é nerd no sentido original da palavra. E, se você não sabe a frequência de clock do processador de seu smartphone, é simplesmente porque não precisa saber. Os próximos anos dirão se Jobs massificou ou exterminou a cultura que ajudou a criar, e quais serão as consequências disso a longo prazo. Serão anos interessantes, e eu não falo disso só porque estou esperando pelo filme dos Vingadores.

PS: já aviso que só comprarei um iPhone quando rádio FM e emulador de Mega Drive não exigirem gambiarras e acessórios para funcionar. Até lá, fico com meu Nokia E5 todo estrupiado.

Sobre armas e rosas

Estoy a oír: Guns’n Roses (nos bons tempos, que fique bem claro) – Estranged

Axl Rose 2011
Saída da Cidade do Rock, Rio de Janeiro, manhã de segunda-feira.
– Cara, que vergonha…
– Ah, eu curti. Apesar de tudo.
– Desculpa, mas não tem como alguém ter curtido isso.
– Tudo bem, foi tumultuado, mas a gente tá falando do Guns’n Roses, caramba.
– Não, a gente não tá falando do Guns’n Roses. O Guns’n Roses acabou depois do The Spaghetti Incident? Tudo que aconteceu desde então, inclusive esse fiasco que a gente acabou de ver, foi o Axl Rose se recusando a admitir que tá velho e acabado.
– Diz o cara que quase teve um infarto no show do Paul McCartney.
– Ah, mas nem se compara. Tá certo, o Paul tem idade pra ser pai do Axl, mas tá bem mais inteiro.
– E menos gordo.
– E sem aquele bigodinho ridículo.
– Mas a questão não é idade. O B.B. King mal se aguenta em pé e ainda coloca qualquer plateia do mundo abaixo. Agora, o Axl dá vergonha. Ele não tem mais nem fôlego pra cantar.
– Dá um desconto, vai… tava tarde, chovendo, bem ou mal o cara fez o show todo…
– O que só me deixa mais fulo ainda. Eu gastei um dinheirão com ingresso, passagem, hospedagem, passei um mês antecipando trabalho pra poder viajar, tomei chuva… pra assistir isso? Pra não falar nas duas horas de atraso pra entrar no palco. Duas horas esperando na chuva! Podiam pelo menos ter pedido pro System of a Down enrolar, sei lá. Dava pra eles terem tocado Boom.
– Coisa de rockstar, se chega na hora pessoal reclama de “falta de atitude”
– E aqueles guitarristas? Não tocam nada, mas um quer pagar mais de fodão que o outro. Um com uma guitarra dupla, sendo que com um braço só ele já se atrapalhava. O outro veio com capacete de Stormtrooper e o escambau, mas se atrapalhou em metade dos solos por causa daquela desgraça. E ainda me puseram mais um, que ficou o show inteiro pagando de Slash. Onde é que o Axl achou esses caras, nas eliminatórias do American Idol?
– Aí você vê que o Guns não era só Axl. Tudo bem, ele era o frontman, mas a formação original faz falta. E nem tô falando só do Slash.
– Exatamente. O Chinese Democracy finalmente saiu, beleza. Só que também foi a última chance do Guns, ou seja lá como você queira chamar essa banda de garagem que acompanha o Axl, terminar minimamente por cima.
– Mas, considerando que tá só ele segurando a banda sozinho, foi um show até que razoável. Ele tocou a maioria das músicas mais famosas…
– E destruiu cada uma delas. O refrão de Welcome to the Jungle eu já esperava que fosse vexame, mas ele errou o assobio de Patience. Você tem ideia do que isso significa? Parar pra fazer inalação a cada duas músicas eu perdoo, a capa de chuva a gente ignora, mas nunca que o Axl podia ter errado o assobio de Patience! Essa era minha música favorita deles, e agora eu não vou mais conseguir ouvi-la sem lembrar a raiva que acabei de passar.
– Olha, eu ainda acho que você tá assim por causa do cansaço. Vamos voltar pro hotel, dormir um pouco e você vai ver que não foi tão humilhante quanto parece.
– Nada, só vou dormir depois de ouvir o Use Your Illusion inteiro. Lembrar de quando o Axl ainda impunha um mínimo de respeito, pra ver se o trauma passa.
– Já vi que eu ainda vou ouvir falar nesse show por um bom tempo…
– Eu devia saber que ia dar merda quando disseram que o show de abertura ia ser dos Detonautas.