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A bolha da podosfera brasileira

Estoy a oír : David Bowie & Billy Corgan - All the Young Dudes

Os economistas adoram explicar viradas repentinas no mercado dizendo que “a bolha estourou”.

Traduzindo: um produto ou investimento que gerava rios de dinheiro deixou de dar lucro subitamente, fazendo com que aqueles que aplicaram suas economias nele percam todo o investimento. O resultado todos nós conhecemos bem.

Ainda que não envolva nem de longe quantidades de dinheiro tão volumosas quanto a bolsa de valores, dá pra dizer que a bolha da podosfera brasileira estourou. Vários programas estão terminando ou prosseguindo com dificuldade, em grande parte devido à suposta “falta de tempo” de seus componentes.

A razão principal? Simples: como disseram Alottoni e Azaghal ao saber que alguns colaboradores do Jovem Nerd News (inclusive eu) começaríamos o Dimensão Nerd, não é fácil manter um podcast. E muita gente não se dá conta disso até já estar envolvida e desesperada.

Pra começar, fazer um podcast toma tempo. MUITO tempo. Fazendo uma média dos programas da Kombo Podcasts, calculo que um programa semanal de 40 minutos de duração leve cerca de 10 horas de trabalho para ficar pronto, entre gravação e edição. Se bem que o principal ponto não é o longo tempo “em estúdio”, e sim a responsabilidade de cumprir prazos e manter a qualidade do programa. Parece que muita gente começa podcast simplesmente por achar legal, sem ter idéia da bucha que um projeto desses significa.

O sonho do podcast próprio não é tão fácil de realizar, até porque todos estamos acostumados com algo bem mais fácil de administrar - blogs. Não que seja moleza, claro (eu sei bem disso, tenho este e mais oito) mas blogar dá BEM menos trabalho: bastam algumas horas lapidando um bom texto de vez em quando e pronto, a página está atualizada.

Blogs não precisam de vinhetas bacanas, trilha de fundo ou que você corte aquela gaguejada na hora de dizer o nome de um escritor soviético. E, a menos que você escreva como o Seu Creysson, ninguém vai deixar comentários em TODOS os seus artigos reclamando deste ou daquele erro. Os dois tipos de projeto exigem muita dedicação, claro, mas eu diria que se tornar um podcaster exige níveis de paixão e disponibilidade de tempo ligeiramente mais elevados.

Mas, claro, simplesmente sentar e reclamar não adianta. Como nos lembram as chamadas em que o SBT cita Albert Einstein, para quem está preparado a crise nada mais é do que uma oportunidade. Que sobrevivam os bons podcasts, e que novas e boas idéias nasçam desta aparente derrocada. E lembrem-se, crianças: se forem começar um podcast, tenham certeza de saber em que estão embarcando. Não é nenhum cruzeiro no Caribe, mas fazendo tudo direitinho você se diverte tanto ou mais.

(Agradecimentos a Vinícius Schiavini pelos primeiros esboços da teoria aqui apresentada.)

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3 Comments on “A bolha da podosfera brasileira”

  1. #1 Rafael Reinehr
    on May 11th, 2009 at 4:42 pm

    Tava visto: sem contar o trabalho de fazer, haja público para ouvir estes podcasts… Não sei se já foi feita alguma pesquisa a respeito, mas o número de ouvintes é suficiente para valer o esforço? Ou é algo feito como arte, independente de quem ou quantas pessoas vão ouvir?

    Mad Max responde: em alguns casos, poderia ser até encarado como arte…mas vale o esforço, sim. A maioria dos programas não tem audiência nível “Maracanã lotado”, mas é a tal audiência qualificada de que tanto se fala. E aliás, Rafael, quando é que você vai gravar o Dimensão Nerd com a gente, hein? :P

    [Responder]

  2. #2 QUEIROZ
    on May 24th, 2009 at 3:10 pm

    O sonho do podcast próprio. Muita gente quer, inclusive eu. Thor adora escutar Riders on the Storm.rsrs. E por falar nele, foi um alívio, quando soube que o loirinho da foto de divulgação era o Pai do James T. Kirk. Acho que vai ser bom sim.

    Mad Max responde: tomara que saia mesmo, Queiroz…

    [Responder]

  3. #3 Raphael
    on Jun 2nd, 2009 at 3:17 pm

    Realmente fazer um podcast é algo demanda muito trabalho para quem o edita, mas acredito que se fazendo o que gosta, de alguma forma, as coisas se tornam mais fáceis de serem executadas, e o trabalho sai bem feito.

    Nos estamos tbm trilhando o caminho para fazer um podcast bacana e conquistar uma audiência satisfatória e claro nos divertimos com isso. Acredito que esta seja a chave de um bom podcast.

    Concordo com vc, que sobrevivam os bons podcasts e a podosfera brasileira seja unida!

    Abraços

    Mad Max responde: se dedicar e, principalmente, gostar do que se faz é a chave do sucesso - sucesso que é o meu desejo para você e o pessoal do Fastcast.

    [Responder]

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