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Brasil é favorito para a Copa – de 2018

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Que a vitória esmagadora contra a quase amadora China não sirva de falso bálsamo aos que ainda esperam alguma coisa da Seleção Brasileira.

Pois uma vez mais a CBF usou da sua tática mais suja para fazer as pazes com o torcedor: marcar amistosos contra sacos de pancadas em território brasileiro, onde o escrete canarinho parece só jogar quando inevitável. (De seis anos pra cá o Emirates Stadium de Londres virou a casa da seleção, pelo amor de Hefesto!) O truque parece especialmente sujo se considerarmos que, apenas três dias antes, o mesmíssimo time enfrentou grande dificuldade para vencer a também pífia África do Sul.

Até minha gata Zatanna pede pela demissão de Mano Menezes a esta altura do campeonato, mas além da óbvia incompetência do técnico outros fatores pesam contra o desempenho do time. O primeiro e talvez mais forte é a entressafra de bons jogadores. Aqueles que potencialmente seriam os principais destaques da seleção caíram em desgraça depois das eliminações de 2006 e 2010: Ronaldo se aposentou, Kaká enfrenta as contusões e um técnico que adoraria mandá-lo embora do América do Real Madrid, Adriano e Ronaldinho Gaúcho afundam mais e mais sob o deslumbramento com a própria fama…

Restou chamar a boa geração de jovens que despontaram em vários clubes, mas eles ainda não são maduros o bastante para assumir tão pesada tarefa. Em tempos melhores, nomes como Neymar e Lucas seriam o que foi Ronaldo em 1994 – iriam ao Mundial para ganhar experiência, prearando-se para o sucesso em participações futuras. Hoje, porém, eles são o principais nomes de um time que parece jovem demais – mesmo sem nunca terem jogado com a camisa amarela como jogam em seus clubes. A juventude do time chega a ponto de, assistindo ao amistoso contra a Grã-Bretanha antes da Olimpíada, eu simplesmente não reconhecer metade dos jogadores em campo.

Em tempos em que a seleção passa longe de ser o bicho-papão de antigamente (perdemos da Venezuela, saco de pancadas da América do Sul! Viramos fregueses de subcentros futebolísticos como França e México!), o futebol brasileiro virou um novo Leste Europeu. É difícil identificar causa e consequência nessa relação, mas as duas coisas estão inegavelmente ligadas. Nossos clubes repatriam astros decadentes pagando verdadeiras fortunas, revelam pouquíssimos jogadores e as raras joias que surgem, além de partirem muito cedo rumo aos grandes centros, são forçadas a carregar o selecionado nacional nas costas.

A inexperiência da maioria dos jogadores leva a crer que a atual geração só deve atingir o auge na Copa da Rússia, em 2018 – o que é uma péssima perspectiva quando a seleção mais vencedora do mundo organiza um Mundial em casa. Ainda mais quando a confederação nacional parece, como já declarou um maldoso Jérome Valcke, mais interessada em vencer a Copa do que em organizá-la.

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