Estoy a oír: Cidade Gamer #56 – Tartarugas Ninja

Depois de brigar com Sam Raimi, a Sony convocou o diretor Marc Webb (500 Dias com Ela) para recomeçar a franquia cinematográfica do Homem-Aranha. Afinal, perder os direitos do lucrativo personagem estava fora de questão – ainda mais depois da união entre a Marvel e a Disney.
Trazendo Andrew Garfield (A Rede Social) no papel do Amigão da Vizinhança e a lindinha Emma Stone como sua amada Gwen Stacy, O Espetacular Homem-Aranha foi vendido com uma proposta mais séria e realista. Além disso, nomes como Martin Sheen e Sally Field conferiram credibilidade ao reboot que muitos julgavam desnecessário.
Afinal, o primeiro capítulo da franquia mal completou dez anos, para não citar que três séries animadas nesse intervalo recontaram a mesma história. A questão é: independente de necessidade, o filme agrada?
Vamos por partes. O filme começa recontando a origem do herói, mas coloca Peter Parker buscando saber mais sobre os pais. Fuçando numa maleta do pai que encontrou no porão, Peter descobre sobre o dr. Curt Connors (Rhys Ifans), cientista que busca usar genes de outras espécies para combater doenças e, eventualmente, regenerar o braço que ele perdeu.
Em busca de respostas que seus tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field) não puderam ou não quiseram lhe dar, Peter vai ao encontro do dr. Connors na Oscorp… e lá ocorre a picada de aranha que mudará seu destino.
A primeira parte é o melhor do filme. Garfield interpreta um nerd mais real e menos “Big Bang Theory” do que Tobey Maguire, sua transformação em Homem-Aranha acontece de forma muito mais progressiva e convincente que no original de Sam Raimi e as cenas se encadeiam com uma fluidez invejável.
Para completar, Emma Stone finalmente conseguiu me fazer gostar da Gwen Stacy, Denis Leary cumpre bem o papel do policial que se opõe ao recém-surgido vigilante e Martin Sheen cria um tio Ben afável sem deixar de ser austero quando necessário.
Mas os problemas logo aparecem. Faltam coisas icônicas da origem do herói, como a tentativa de carreira na luta livre (referenciada do jeito mais cretino possível) e a frase “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. E a cena do Aranha detendo um ladrão de carros, mostrada em 314 teasers, simplesmente não casa com o tom do resto do filme. É o único momento em que vemos o tradicional bom humor do herói, só que é tão exagerado que dá pra entender porque limaram as piadas do resto do roteiro.
E isso é só um prenúncio do que virá, já que o filme se perde de maneira assustadora no segundo ato. Curt Connors ora demonstra intenções nobres ora trama contra inocentes, oscilando entre altruísmo e vilania conforme o avanço da história pede. A ideia de fazer sua transformação em Lagarto acontecer por etapas é ótima e muito bem executada… até você se dar conta de que, quando completamente metamorfoseado, ele fica quase idêntico aos Goombas do filme do Mario. Vão por mim, isso NUNCA é um bom sinal.
Para completar, o meio do filme é todo atropelado. Em dez minutos o Lagarto volta à forma humana, bola um plano maligno (com direito a montar um laboratório no esgoto. Porque não, né?), coloca o plano em execução, se transforma novamente, o Homem-Aranha descobre o tal plano, o Lagarto descobre a identidade secreta do herói… e nada nesse meio tempo faz muito sentido.
Uma consequência engraçada disso tudo é que Peter simplesmente esquece o endereço de casa na segunda metade do filme, o que faz Sally Field sumir da tela por quase meia hora. Aliás, uma atriz desse porte merecia mais tempo de tela – ainda mais interpretando uma personagem tão importante.
Não bastasse tudo isso, Webb parece decidido a provar que consegue fazer um filme-aranha melhor que os de Sam Raimi, e com isso acaba repetindo alguns vícios e problemas dos anteriores. Temos o herói que tira a máscara toda hora, o vilão esquizofrênico e as cenas vergonha alheia do povo se mobilizando para ajudar o herói. Pra resumir numa frase: como acreditar que TODAS as gruas de Manhattan estão na mesma parte da cidade ao mesmo tempo?
Outro problema, pelo menos pra mim, é usar Gwen Stacy como mocinha. Pessoalmente, eu optaria pela Mary Jane mesmo. Não bastasse ser idêntica a Emma Stone, a ruiva é comumente vista pelo público em geral como namorada do Homem-Aranha. Do ponto de vista cronológico faz sentido mostrar Gwen primeiro, mas na prática é como fazer um filme do Super-Homem em que o Homem de Aço se apaixona por Lana Lang.
Colocando tudo na balança, O Espetacular Homem-Aranha acerta especialmente no desenvolvimento de personagens, mas isso afunda sob o peso dos seus problemas. Uma continuação pode – e provavelmente vai – render mais, mas por ora o reinício da série não se justifica. Talvez fosse mesmo melhor deixar que os direitos do personagem voltassem para a Marvel.
PS: não acredite em quem disser que a cena pós-créditos entrega o vilão da sequência. Aliás, a cena parece estar lá só para cumprir o protocolo. Sabemos apenas que não é o Duende Verde, que provavelmente será ”guardado” pro final da trilogia.
PS 2: alguns momentos têm referências tão descaradas ao game Mirror’s Edge que eu literalmente cantarolei o tema de abertura do jogo nas cenas finais. Achei que fossem eliminar ou reduzir tais referências quando o pessoal que viu os teasers reparou nas semelhanças, mas eles não só não fizeram isso como ainda incluíram novas!

09/07/2012 at 18:56
Olha Mad, vou te dizer uma coisa..
Por mais que eu discorde da sua opinião, vc conseguiu o que a maior parte das críticas negativas não conseguiu..
Deu bons argumentos para não ter gostado.
Só dois pontos que eu queria discutir:
O Aranha faz piadas em vários momentos, inclusive na cena em que o Lagarto invade o colégio. Claro que não da pra ele fazer piada a toda hora, ou tira um pouco da carga dramática das cenas, mas pra mim foi o bastante. Especialmente por sem um ponto muito favorável em comparação aos filmes “antigos”.
E achei legal colocar a Gwen, ela combina mais com o lado adolescente e ainda ingênuo do Peter. Sem contar que, na minha opinião, a trilogia será sobre os dois e sobre o Norman Osborn, com o possível final trágico no terceiro filme. Por isso precisava ser a Gwen. Tanto a morte dela quanto a morte do Capitão Stacy são tão essenciais ao personagem quanto a morte do tio Ben.
De resto, entendo sua opinião.
Coisas que te decepcionaram, como a falta do “grandes poderes trazem grandes responsabilidades” e da luta livre pra mim foi como a falta do “Avante Vingadores” em Vingadores. No contexto geral, não fizeram grande falta.
O “grandes poderes..” poderia estar na mensagem que o tio Ben deixa na caixa-postal do Peter, sim, mas achei legal mostrar a mesma mensagem em outras palavras. O recado está la.
O filme tem falhas, como o vilão fraco (e que parece um repeteco do Osborn do Raimi) e as cenas cortadas..
Mas pra mim, as qualidades superam e muito os defeitos.
E isso que importa. =)
16/07/2012 at 02:33
Olha bem legal apesar de nao ver a parte depois dos creditos mais assim pra surgiu uma duvida sera que nos proximo Os Vingadores ( que provavelmente tera) o homem aranha ira aparecer e junto com ele o vilao do pos credito do espetacular homem aranha.. e tipo os viloes iram se juntar… Pra mim depois que estava voltando pra casa pensei nessa posivel ocasião
Mad Max responde: não é impossível, mas é muito improvável – por mais que se tenha dito que a Marvel negociou com a Sony para incluir o prédio da Oscorp no filme dos Vingadores ou coisas do tipo.